O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 21/09/2019
Durante a década de 80, a epidemia de AIDS que afetou todas as classes sociais, infectando homens e mulheres independentemente de classe social ou opção sexual, ficou conhecida como “holocausto demográfico” e levou à morte grandes personalidades, como Renato Russo e Cazuza. Entretanto, o século XXI tem registrado um perigoso aumento de DSTs entre jovens brasileiros, seja pela crença de que elas são apenas doenças comuns, seja pelo grande tabu que o assunto sexo ainda representa.
A priori, o fato de que a geração atual de jovens perdeu o medo das DSTs é fator determinante para o crescimento de infectados no país. Após a grande epidemia de AIDS na década de 80, foram realizados inúmeros estudos que levaram à criação de um diagnóstico e de um coquetel de medicamentos que possibilitaram uma maior longevidade dos portadores do vírus do HIV. Dessa maneira, a melhora na qualidade de vida dos afetados pela AIDS associada ao foco das campanhas publicitárias nela têm contribuído para a falta de preocupação dos jovens em adquirirem outras DSTs, como sífilis – que sofreu um aumento de mais de 5000% no número de casos de 2010 para 2015, segundo dados da OMC – e gonorreia, visto que a falta de medo leva os jovens a deixar de lado o uso da camisinha, a forma mais eficaz de prevenção de DSTs.
Ademais, é importante ressaltar que o assunto sexo persiste como um tabu nas rodas de conversa no Brasil. O célebre Cazuza, vitimado pela AIDS, afirmou “eu vejo o futuro repetir o passado”. De maneira análoga à constatação do poeta, assuntos relacionados a sexo persistem um tabu entre pais e filhos há muitos séculos no Brasil, e essa falta de diálogo gera jovens desinformados sobre os incontáveis perigos do sexo sem proteção e que iniciam a prática de relações sexuais cada vez mais cedo, mas sem a orientação adequada de seus responsáveis. Ademais, os jovens sentem vergonha de explanar suas dúvidas, compartilhar suas experiências e, obviamente, de discutir sobre DSTs com os pais, o que os leva a deixar de lado os exames rotineiros, como expressa o dado divulgado pela Pcap, o qual mostra que mais de 70% dos jovens entre 15 e 24 anos nunca realizaram um teste de HIV na vida.
Portanto, medidas são necessárias para amenizar o impasse. Urge que as escolas de ensino fundamental e médio, por meio de verbas governamentais, realizem atividades lúdicas, como mesas redondas, que contem com a participação de profissionais da saúde e dos pais e responsáveis pelos alunos, nas quais ocorram discussões sobre a periculosidade de cada uma das DSTs que existem e a importância da orientação familiar em seu combate. Nesse sentido, o objetivo de tal ação é resgatar a preocupação dos jovens para com o uso da camisinha e estimular a transparência e a confiança nas relações familiares.