O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 22/09/2019

No filme “Cazuza - O tempo não para”, é mostrada a avida do jovem e talentoso cantor de rock Cazuza, que morreu em 1990 após uma luta intensa contra a AIDS, uma doença sexualmente transmissível (DST). Atualmente, muitos jovens assim como Cazuza na época, também contraem DSTs e tal problema tem sua gênese nos tabus que rodeiam a educação sexual nas escolas e passa pela banalização das doenças em prol do prazer imediato.

Nesse sentido, cabe ressaltar o caráter falho das instituições sociais. Assim, a escola em particular, uma instituição designada para educar os alunos para a vida é a primeira a negligenciar o tema da sexualidade e as doenças as quais os jovens estão expostos ao não usarem camisinha em suas relações sexuais. Como afirma Michael Foucault, há um tabu quando se fala em sexo e, por tal motivo, é um tema visto como um filme de entretenimento como o de Cazuza, obscurecendo o caráter real e o viés educativo do assunto, o que prejudica necessária construção do conhecimento sobre proteção sexual desde o início da vida sexual.

Além disso, há a questão da banalização das doenças, que são ignoradas em prol dos prazeres imediatistas juvenis. Nessa perspectiva, a filosofia hedonista do filósofo Epicuro é pertinente ao tema uma vez que os jovens se importam mais em buscar os prazeres momentâneos sem pensar nas consequências do sexo sem proteção, sendo domados pelo prazer momentâneo. Como consequência, adolescentes praticam relações sexuais sem proteção e entram para as estatísticas, como a da Secretaria da Saúde, que registra 29 mil casos de DST’s entre a faixa pueril todos os anos. Tal índice mostra o quanto a banalização dos males das doenças transmissíveis é grande perante a faixa etária juvenil e está intrinsecamente relacionada com o imediatismo adolescente.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução de tal problema. Cabe ao Ministério da Educação (MEC), investir em palestras em Centros de Educação Unificada (CEUs) e inserir na grade curricular das escolas um plano rígido de educação sexual voltado sobretudo às doenças transmitidas via contato sexual na disciplina de Ciências. Aliado a isso, o acompanhamento de sexólogas e psicólogas nas escolas é necessário para sanar as dúvidas dos alunos de modo a tirar a ideia de banalidade por trás das doenças sexualmente transmissíveis e estimular um conhecimento da dimensão da importância de se proteger contra elas, a fim de proteger a juventude de tais problemas a partir de um conhecimento sólido sobre o assunto. Só assim, enfim, menos pessoas serão vítimas de tais mazelas, como o jovem cantor Cazuza.