O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 30/09/2019
No livro Casa grande e senzala, de Gilberto Freire, o contato indiscriminado entre ameríndias e portugueses provocou a disseminação de sífilis e a consequente morte das atrizes. Fora das obras literárias, hodiernamente, o número de infectados pelas doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) cresce de modo substancial no seio coletivo, em virtude da inércia governamental em estabelecer políticas públicas eficazes de conscientização sobre o sexo responsável. Outrossim, a parcialidade midiática, em apresentar conteúdos com teor erótico, sem apresentar as consequências do ato leva os atores a não se preservarem durante a relação.
A priori, segundo Michael Foucault, o Governo tem a capacidade de controlar os problemas sociais e, nesse caso, proteger e conscientizar os cidadãos. Contudo, a tradicional tendência que os políticos têm em investir nos setores voltados para o enriquecimento econômico do país faz com que ocorra a multiplicação de seres contaminados pelas infecções, porquanto o sexo e suas implicações na coletividade raramente são discutidas em âmbito escolar. Isso é decorrente da falta de comprometimento do Estado em estabelecer medidas eficazes de conhecimento biológico e histórico das enfermidades para os alunos, desde a sua mais tenra idade, a fim de que os jovens indivíduos possam praticar o coito de forma consciente e segura.
A posteriori, sob a ótica dos teóricos de Frankfurt, os meios de comunicação provocam um processo de desumanização do ator na medida em que este é colocado a favor dos interesses de uma mídia capitalista e alienante. Nessa conjuntura, é notório perceber que as redes sociais, bem como as séries televisivas abordam a relação sexual de maneira romantizada além de idealizada, tendo em vista que as matérias rasas são mais aceitas pelo público juvenil. Sob esse viés, as propagandas, na maioria das vezes, não evidenciam as consequências negativas do sexo “inseguro” como a gravidez precoce e o desenvolvimento das patologias.
Destarte, para que o número dos infectados decresça na coletividade, mediante o conhecimento aprofundado sobre as doenças, urge que a Escola – no papel dos educadores - promova a incorporação de matérias interdisciplinares, de ciências e humanas, sobre as DST’s, mediante conteúdo multimídia e palestras instrutivas, no intuito de fomentar uma discussão crítica e enriquecedora sobre o assunto. Por fim, é mister que o setor legislativo propicie a criação de leis que determinem a transmissão obrigatória de programas e series animadas com histórias lúdicas que evidenciem o coito responsável, nos horários de maior audiência, no fito de promover a sensibilização do tecido grupal, por intermédio de uma mídia imparcial e crítica.