O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 25/09/2019

No início dos anos 90, a morte do cantor brasileiro Cazuza, decorrente de complicações de saúde causadas pela AIDS, trouxe à tona discussões acerca da incidência de infecções sexualmente transmissíveis. Na conjuntura contemporânea, o tema ainda é pauta, uma vez que persiste em alta o número de jovens contaminados. Desse modo, cabe analisar como uma educação sexual deficiente e uma cultura hedonista contribuem para a presença dessa problemática na sociedade.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar como a educação sexual não é aplicada na formação dos jovens, o que os tornam suscetíveis a infecções sexualmente transmissíveis. Isso porque abordar questões relacionadas a sexualidade ainda é enfrentado como um tabu por pais e escolas, que atribuem a essa temática como impulsionadora do início precoce da vida sexual. No entanto, essa visão distorcida da realidade vai ao desencontro com as recomendações da Organização das Nações Unidas, que incentiva essa abordagem como forma de respeitar os direitos humanos e preservar o bem-estar e a saúde da juventude. Desse modo, a negligência com o tratamento de aspectos inerentes a condição humana reflete na ausência de conhecimentos suficientes sobre métodos de prevenção e indivíduos alheios aos riscos oriundos da prática sexual desprotegida.

Outrossim, a cultura hedonista enraizada, que prega a busca pelo prazer a qualquer custo, influencia os jovens a tomarem decisões imprudentes em nome da efemeridade da vida. Nesse sentido, abrir mão do uso de métodos de preservação pode ser atribuído como uma das ações pautadas na visão inconsequente que muitos tem de aproveitar ao máximo a juventude. Assim, essa lógica rompe com a concepção aristotélica de felicidade, que prevê o homem possuidor dessa virtude aquele que age com precaução e evita extremos. Com isso, a alta incidência de infecções sexualmente transmissíveis entre a população mais jovem é reflexo dessa falta de responsabilidade com o próprio corpo e traz prejuízos para o futuro e para o bem-estar global desses indivíduos.

Portanto, fica claro que os altos índices de jovens contaminados por infecções sexualmente transmissíveis precisa ser atenuado. Para tanto, cabe às escolas em parceria com as famílias, visto que representam as instituições responsáveis pela formação cidadã, promoverem palestras e oficinas sobre temas relacionados à sexualidade, no intuito de desmistificar o tema e possibilitar o diálogo entre pais e filhos. Ademais, é importante a atuação do Ministério da Saúde no aprimoramento de campanhas acerca da necessidade de prevenção, por meio de recursos midiáticos, redes sociais e artistas que se aproximam com o cotidiano e cultura da juventude de modo a tornar-los mais familiarizados e adeptos ao uso de preservativos. Pois, é assim que esse problema deixará de persistir no cenário nacional.