O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 24/09/2019
A série espanhola Elite, exibida pela plataforma de streaming Netflix, possui como protagonista da trama, a jovem Marina, uma garota de classe média alta, de apenas 16 anos, que foi infectada pelo vírus HIV. O seriado mostra uma realidade também presente entre os jovens brasileiros, onde os casos de infecção por doenças sexualmente transmissíveis tem crescido a níveis alarmantes. Tal fato, deve-se à estigmatização dos assuntos de cunho sexual na sociedade, bem como ao aumento da promiscuidade nessa faixa etária. Desse modo, convém analisar as principais causas e as possíveis medidas relacionadas a este fenômeno.
Primeiramente, é possível perceber que a sexualidade ainda representa um tabu entre muitas das famílias brasileiras, revelando uma falta de espaço para diálogos que se desdobrem em torno de temáticas como sexo, formas de contágio e prevenção de DSTs. Consequentemente, os jovens iniciam a vida sexual sem as orientações necessárias e acabam contraindo e até mesmo transmitindo doenças, devido a falta de conhecimento. Em vista disso, é imprescindível, que os pais assumam o seu papel de educadores, não deixando que as orientações sobre saúde sexual para os seus filhos, sejam restritas ao âmbito escolar e midiático.
Em segunda análise, observa-se um aumento no número de parceiros sexuais entre a população juvenil do Brasil. Segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde por meio da PCAP (Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira) no ano de 2013, constatou-se que 19,5% dos jovens entrevistados, haviam tido mais de cinco parceiros sexuais no último ano. A mesma pesquisa ainda mostrou que 43,4% dos jovens não se protegem durante o sexo casual, evidenciando, portanto, que a multiplicidade de paceiros aumenta, e muito, o risco de contágio por alguma DST, sobretudo quando trata-se de encontros casuais, nos quais grande parcela dos indivíduos não utilizam preservativo.
Logo, medidas são necessárias para resolver este impasse. As Unidades Básicas de Saúde da Família devem realizar parcerias com a escolas de ensino fundamental e médio, a fim promover rodas de conversa em ambientes da comunidade, com os jovens e seus respectivos familiares, fornecendo informações sobre as DSTs, suas formas de transmissão, sinais e sintomas e principalmente suas formas de prevenção, sanando dúvidas e facilitando o diálogo entre pais e filhos, além disso, é necessário estimular um comportamento sexual consciente e responsável, por meio de dinâmicas, filmes e documentários. Desse modo, a educação sexual dos jovens brasileiros será fortalecida, contribuindo para a diminuição dos casos de DST em nosso país.