O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 22/10/2019
A prática sexual entre adolescentes tem aumentado nos últimos anos no Brasil. O descobrimento sobre o corpo e os prazeres que ele pode oferecer, é o principal motivo para o sexo nessa faixa etária. No entanto, a psiquiatra Camila Abdo da USP, adverte em suas aulas, que essas descobertas sexuais sem proteção, favorecem a transmissão de doenças sexuas (DST’s). Diante disso, tornam passíveis de discussão os desafios enfrentados hoje, no que se refere à questão do tabu social sobre sexo na adolescência e a falta de campanhas sobre relações seguras.
Sob esse viés, a sociedade ainda é notoriamente dirigida por preceitos patriarcais e machistas, que oferecem margem para que pensamentos conservadores e preconceituosos governem as instituições. De acordo com a psicologa Cristina Fonseca, as discussões sobre sexo ainda são negligenciadas pelas famílias; através de ideologias religiosas sobre o erotismo depois do casamento, ou um protecionismo afetivo feito pelos pais, os diálogos sobre vida sexual são feitos apenas entre os adolescentes, permitindo a propagação de mitos no meio juvenil.Segundo uma pesquisa do Ministério da Saúde, 21,6% dos jovens em 2016, acreditavam que a aids tinha cura, demonstrando que a falta de informação sobre esse assunto permeia suas mentes.
Ademais, vale ressaltar que somente a atual distribuição de preservativos para a população, a fim de solucionar os problemas das doenças sexualmente transmissíveis, não é o ideal para reduzir esse crescente índice entre os jovens brasileiros. A Organização Mundial da Saúde,acredita que o principal motivo para que 376 milhões de pessoas no mundo tenham DST’s, está na falta de informação. No Brasil, a educação sexual não é realizada de forma aberta nas escolas, mesmo que jovens com menos de 16 anos já tenham uma vida sexual ativa, afirma pesquisas do Ministério da Saúde. A falta no uso de camisinha entre os adolescentes, pode ser atribuído as escassas campanhas de saúde, que não advertem sobre os riscos do sexo sem proteção, o que contribui para o aumento da transmissão de doenças como aids, herpes e sífilis entre os jovens, segundo a OMS.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para atenuar o problema. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação,aplique na matriz curricular das escolas a educação sexual, a partir do fundamental II, para que medidas de prevenção venham ser tomadas antes da primeira relação sexual. Essas aulas devem ser extramente lúdicas e expositivas, além de ser auxiliada por médicos e sexólogos, a fim de desmistificar qualquer crença que esses jovens tenham sobre seus corpos. Assim, será mais fácil para os adolescentes entenderem a importância do sexo seguro e responsável com seu parceiro, mesmo que em algumas famílias esse diálogo seja inibido.