O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 30/09/2019

Nas últimas décadas, o desenvolvimento da medicina juntamente com a adoção de políticas públicas foram decisivos no combate às DSTs. O Brasil, durante os anos oitenta, experimentou grandes taxas de infecção pelo vírus HIV mas, felizmente, conseguiu controlar a epidemia através de campanhas de conscientização e distribuição universal gratuita de preservativos e de coquetéis de profilaxia pós-exposição, tornando-se referência mundial na luta contra a AIDS. No entanto, em 2019, o quadro no país é preocupante: as estatísticas vêm apontando um aumento nos casos de AIDS e diversas DSTs nos últimos anos, sobretudo entre os jovens – que costumam ter uma vida sexual mais agitada e têm utilizado menos preservativos. Diante desse cenário desafiador, o grande questionamento que paira é: o que estaria por trás de tal problemática e quais medidas devem ser tomadas para revertê-la?

Especialistas avaliam que o aumento da sobrevida e da melhoria na qualidade de vida dos aidéticos pode ter tido um efeito indesejado na percepção popular: os jovens parecem já não temer tanto a doença e se expõem a mais situações de risco, bem como deixam de fazer testes e acompanhamento médico. Muitos não entendem a gravidade de ser soropositivo e não acham que a doença ainda pode ser incapacitante ou fatal. Outro fator é o desconhecimento em relação às demais doenças que não a AIDS que, apesar de muito comuns e problemáticas, não são tão famosas - como a sífilis, clamídia, gonorréia e hepatites virais. Assim, apesar da internet hoje ser amplamente usada pelos mais jovens, parece que tal ferramenta não tem tido seu potencial positivamente explorado pelo Estado no que tange o resguardo da saúde sexual. Além disso, parece estar havendo uma falha no Ministério da Educação em garantir que este tema seja amplamente abordado e reforçado dentro das escolas e universidades.

Nesse sentido, urge que o Governo adote novas medidas para mudar essa realidade, como o desenvolvimento de campanhas de conscientização que não se limitem a propagandas de televisão ou outdoors, mas avancem massivamente para a internet – principalmente nas redes sociais mais usadas pelos jovens brasileiros, que possuem todas mecanismos de publicidade. Na Educação, é necessário que seja feita uma reavaliação dos currículos nacionais e que estes deem a devida atenção para a saúde sexual enquanto uma urgência social. O tema das DSTs precisa ser tratado nas escolas e universidades com uma carga horária mínima obrigatória em todos os cursos, devendo inclusive estar mais presente nos vestibulares para que seja ainda mais valorizado. A abordagem deve ser feita tanto numa perspectiva fisiológica, quanto sociológica, para que a questão seja debatida em todos os seus aspectos. Dessa maneira, é possível que o Brasil reverta este quadro lamentável e se torne novamente um exemplo internacional no combate da AIDS e das demais DSTs de modo geral.