O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 25/09/2019

De acordo com o filósofo prussiano Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Relacionado a isso, os crescentes casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s) entre os jovens revelam uma lacuna educacional no Brasil. Assim, a formação sociocultural brasileira aliada á inoperância estatal em garantir uma educação abrangente são fatores que corroboram a problemática.

Vale ressaltar, de início, a constituição da sociedade tupiniquim como fomentador do imbróglio. Nesse viés, o pensador francês Émile Durkheim define o fato social como um modo de agir e pensar dotado de coercitividade, generalidade e externalidade. Logo, em decorrência de mais de 80% dos brasileiros, segundo o IBGE, se autodeclararem seguidores do cristianismo, o sexo ainda é um tabu no núcleo familiar, visto como uma prática carnal e impura, quando consumada entre solteiros. Por conseguinte, muitos juvenis, frequentemente influenciados pela mídia, tornam-se sexualmente ativos, mas não possuem orientação suficiente para se prevenirem das DST’s.

Outrossim, embora a educação seja um direito garantido constitucionalmente, ainda existem falhas graves que resultam em danos e ferem a dignidade dos civis. Face ao exposto, o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein refere-se em sua obra “Cidadão de Papel” a um cidadão que possui direitos adquiridos, porém não usufruídos, devido, quase sempre, à escassez de condição fornecida pelo Estado. Assim também ocorre com a sociedade canarinha, uma vez que a garantia à orientação sexual é constante negada pela falta de uma matriz pedagógica nacional mais ampla no País, expondo-os a riscos para a própria saúde.

Dessarte, tendo em vista os argumentos supracitados, urgem-se medidas factuais e efetivas. Para começar, é fulcral que a mídia – agente com grande poder de influência – divulgue campanhas publicitárias informativas e esclarecedoras, por meio das redes sociais e demais recursos de difusão de informação, com o intuito de promover a reflexão e incentivar o diálogo sobre a sexualidade nos núcleos familiares. Ademais, é mister que o Estado, por meio do Ministério da Educação, promova a inserção de uma disciplina voltada para o sexo na matriz curricular nacional, formando indivíduos mais preparados sobre a esfera “erótica” e seus perigos. Dessa forma, o índice de contaminação sexual na juventude será, certamente, atenuado.