O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 29/09/2019
No livro “Os donos do poder”, o sociólogo Raymundo Faoro descreve, com base nas teorias de Max Weber, como a formação do estado patrimonialista,-herança da colonização portuguesa- contribui de forma negativa na origem de impasses socais.De maneira análoga, hoje Faoro perceberia acertada sua tese em razão do aumento de DSTs entre os jovens no Brasil,uma realidade que reflete negativamente tanto pela negligência social quanto pela ineficácia do planejamento de educação sexual,Portanto, cabe avaliarmos os reflexos que comportam esse quadro.
No cenário atual que comporta a evolução tecnológica, a sociedade se encontra anexada a uma posição de constantes transformações, inclusive, disposta a adaptar-se a elas. Conquanto, o mesmo não se vê quando se trata do aumento de casos de DSTs que atrelado à negligência social no que tange aos preservativos,encontra espaço para sua inserção no corpo social.De acordo com a OMS ( Organização das Nações Unidas),mais de um milhao de pessoas, especificamente entre 15 e 39 anos, têm registros de infecção. Nesse sentido é preciso analisar que a questão persiste não por falta de contraceptivos mas pela negligência embasada na ignorância à respeito do assunto, um cenário que poderia estar longe do panorama brasileiro se tal ignorância fosse descosntruída.
Faz-se mister ainda salientar a ineficácia da educação sexual limitada como outro fator agravante. Consoante o escritor Darcy Ribeiro, o Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade e descaso. Sob a óptica desse pensamento,é notório que a perpetuação do problema é intensificada por essa “enfermidade” que configura-se no descaso, visto que o mesmo impossibilita que investimentos sejam destinados aos métodos informativos de cunho sexual para que posteriormente o mesmo venha causar efeito positivo e duradouro na diminuição de casos, possibilitando a progressão do entrave.
Infere-se, portanto,que medidas sejam pensadas e postas em prática para o combate dessa atual problemática. Dessa maneira, urge que a esfera estadual em parceria com o MEC ( Ministério da Educação e Cultura) , formule, financie e promova um plano voltado para a educação social não só por meios midiáticos como também em instituições de ensino público ou privado,médio ou superior, com palestras e professores enfatizando as consequências e a importância da prevenção, com o fito de construir uma sociedade paltada numa vida sexualmente ativa e segura. A partir dessas ações, apraz que uma dos impasses originados, segundo Faoro e Darcy, pelo estado patrimonialista, seja eliminado da lista de problemas sociais do Brasil.