O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 26/09/2019

No fim dos anos 80 e início dos anos 90, o mundo viveu uma epidemia da Síndrome da imunodeficiência adquirida - formalmente conhecida como AIDS -, em que cidadãos comuns, além de vários famosos, se contaminaram e morreram. Hodiernamente, a sociedade brasileira tem vivenciado uma nova proliferação de doenças sexualmente transmissíveis (DST), principalmente entre os jovens. Tal problema vem sendo acarretado devido ao pouco uso de preservativos, além de tabus que impossibilitam a divulgação de informações necessárias.

É preciso observar, em primeira análise, que as informações sobre a saúde sexual têm sido precárias. Segundo Freud, criador da psicanálise, o sexo pode ser considerado um tabu; ou seja, um assunto proibido socialmente, como algo sagrado que deve ser preservado. Isso cria barreiras para a prevenção de doenças, como pôde ser observado em 2013, quando muitas famílias se recusaram a vacinar as próprias filhas adolescentes contra o HPV, assim como aconteceu na Revolta das Vacinas, em 1905.

Em segunda análise, deve-se levar em conta a imprudência de muitos jovens, que se recusam a utilizar o preservativo. O aumento das relações sexuais eventuais sofreu forte influência da revolução sexual, pelo direito à liberdade sexual na sociedade pós-moderna e autonomia do corpo. Pesquisas atestam que cerca de 40% dos jovens não fez uso de preservativo durante o sexo casual; e quase um quarto nunca se preocupou em fazer teste para HIV. O resultado da imprudência pode ser ilustrado pela história de Valéria Polizzi, que se contaminou com o vírus da AIDS ainda em sua primeira relação sexual, e relatou os desafios da doença no livro “Depois daquela viagem”.

Desta maneira, fica evidente que é preciso combater a imprudência e oferecer informação aos jovens. Por isso, o Ministério da Educação, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), deve tornar obrigatória a educação sexual nas escolas de ensino fundamental e médio. Essa proposta não deve se limitar ao conhecimento das DSTs, mas sim promover o debate acerca da sexualidade em si, para quebrar o tabu que existe em torno da mesma. Além disso, é primordial que profissionais envolvidos no assunto, tenham um olhar abrangente sobre a problemática, sendo necessário trabalhar a individualidade de cada indivíduo por meio de um aconselhamento humanizado, sem julgamentos, que leve o indivíduo a rever suas condutas.