O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 27/09/2019

No século XVI, houve a primeira epidemia causada por uma DST, doença sexualmente transmissível, posteriormente identificada como a sífilis. Nesse contexto, os primeiros preservativos começaram a ser desenvolvidos e utilizados. Cinco séculos depois, o número de casos de DST mostra-se ainda desmesurado. Posto que os indivíduos contemporâneos tem, em sua maioria, pleno acesso a informação sobre essas infecções, e ainda, a preservativos gratuitos nos postos de saúde, torna-se necessário analisar as justificativas que compõe esse cenário negligenciado, a fim de modificá-lo.

Em primeira análise, cabe atribuir ao comportamento da sociedade, parte da responsabilidade pelo número crescente de casos de DST. No contexto brasileiro, tal realidade é construída pela banalização dos males causados por essas doenças, uma vez que a geração do século XXI não teve tantos exemplos dos efeitos dessa, como as gerações passadas, que viram diversas personalidades morrerem. Esse cenário desencadeia a menor preocupação dos mesmos, então diminuindo a prevenção, em atos como o descarte dos preservativos. Dessa forma, e ainda auxiliados pelo fato de o sexo ainda ser tratado, por muitos, como um tabu, percebe-se o aumento das doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens.

Outro fator preponderante é a postura governamental perante o quadro debatido. Na atual conjuntura,  a negligência estatal é exemplificada na execução de políticas públicas com resultados ineficazes e nenhuma medida tomada. De acordo com a constituição brasileira de 1988, a saúde é afirmada como um direito social. Todavia, o descaso estatal perante a questão do aumento das infecções, mostra que esse direito não é devidamente assegurado a população. Nesse sentido, vê-se a necessidade da elaboração de medidas que dissolvam essa problemática, a fim de atenuar as consequências, já presentes, para a geração em questão.

Fica claro, portanto, a necessidade de oferecer estratégias para reverter ambas as posturas, governamental e populacional. Para tanto, urge que o Estado, em parceria com as prefeituras, organize políticas públicas de maior efetividade, atuando não só no campo da conscientização dos efeitos dessas doenças, mas também no auxílio a prevenção, por meio de palestras e atividades pedagógicas ministradas por médicos e psicólogos. Essa proposta objetiva a diminuição e posteriormente a estabilização do número de casos de DST, o que garantirá o direito a saúde, previamente assegurado na constituição de 1988. Além disso, é imprescindível que a Mídia, por meio de suas plataformas digitais, crie e divulgue ficções engajadas tratando desse assunto, a fim de estimular o debate, muitas vezes evitado, dentro das casas e escolas, promovendo assim uma ampla conscientização.