O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 28/09/2019
A Revolta da Vacina, de 1994, foi um levante da população, desinformada, contra a vacinação forçada proposta pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz, como medida de erradicação da varíola, fortemente presente no Rio de Janeiro. Na realidade atual, o país sofre com um aumento alarmante de casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), principalmente entre os jovens, que, novamente, arriscam suas vidas por desconhecimento das consequências e negligência quanto às medidas de prevenção de tais problemas, causados principalmente pela escassa educação sexual oferecida nas escolas e por uma abordagem midiática pouco efetiva.
Em primeiro plano, é necessário destacar a existência, ainda atual, de um déficit na educação sexual nas escolas brasileiras, já que uma considerável parte da sociedade acredita ser um assunto a ser tratado exclusivamente pela família. De acordo com o pensador Jacques Bousset, a saúde depende mais das precauções do que dos médicos. Dessa forma, o ensino sobre a maneira adequada e segura de realizar práticas sexuais deveria ser priorizado, e não tratado como polêmica, já que, ao invés de incentivar tais atos, alertaria para os perigos e as consequências dos mesmos. Além disso, atua como um suporte para os adolescentes que passam por experiências traumáticas de cunho sexual ou que possuem dúvidas em relação ao assunto, mas não podem conversar com os pais sobre isso.
Ademais, devido a uma estratégia midiática deficitária, a população tende a achar que as DSTs estão controladas e não se apresentam como um risco sério à saúde. De acordo com dados da UOL, mais de 20% dos jovens acredita que existe uma cura para a Aids, o que não é verdade. As chamadas gerações Y e Z, pessoas nascidas de 1980 até os dias atuais, não tiveram que conviver com a repercussão da morte de grandes nomes da música brasileira, como Cazuza e Renato Russo, infectados pelo vírus HIV, e por isso tendem a negligenciar os perigos dessas doenças.
Portanto, torna-se necessário que o Estado atue com o objetivo de superar o impasse do quadro atual. O Ministério da Saúde deve investir em melhorias nas campanhas publicitárias, por meio de verbas governamentais, que deixem claro a permanência do perigo das Doenças Sexualmente Transmissíveis e mais informações sobre os tratamentos oferecidos, que em sua maioria não possuem total garantia de eficácia, muito menos uma cura propriamente dita, mas apenas uma amenização dos efeitos provocados pelas DSTs. Apenas assim, o Brasil poderá evitar que milhares de pessoas coloquem suas vidas em risco por mera falta de informação, como aconteceu em 1994.