O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 02/10/2019

O maior erro humano

No século XVI, após a pandemia de Peste Negra, a Sífilis se espalhou pela Europa e atingiu camadas diversas da sociedade. De início, a doença foi entendida como castigo divino, e a humanidade só pôde vivenciar a cura no século XX, com a descoberta da Penicilina. De maneira análoga, os casos de Sífilis e de outras infecções sexuais vêm aumentando entre os jovens brasileiros e, com isso, destaca-se o preconceito e a imprudência como causadores do aumento.

Em primeiro lugar, o prejulgamento da sociedade acerca das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) prejudica a clarificação geral sobre a questão. Nesse sentido, é cabível analisar as reações da mídia brasileira com a descoberta da Aids nos anos 1980 — conceituada como “peste gay” e “castigo de Deus”. Logo, tal exemplo de concepção, considerado medieval, dificulta a compreensão integral para a prevenção de enfermidades sexuais, considerando que os casos de Aids só aumentaram e que, conforme os dados da Pcap, cerca de 20% dos jovens desconhecem características da doença.

Outrossim, o aumento das contaminações pelo ato sexual entre os adolescentes ocorre devido à negligência acerca da prevenção. Isso porque, de acordo com o médico brasileiro Dráuzio Varella, a maioria dos jovens considera a camisinha  somente como precaução à gravidez e, por isso, prefere a pílula anticoncepcional em detrimento do preservativo. À vista disso, torna-se perceptível a complexidade para a consciencialização da população brasileira sobre a proteção às contaminações, o que corrobora a urgência de uma intervenção educacional aos adolescentes sexualmente ativos.

Portanto, fica evidente que o aumento de ISTs deve ser mitigado no Brasil. Isto posto, as escolas públicas e privadas devem disseminar sobre as doenças sexuais nas disciplinas de cunho biológico e social, por meio de um aprofundamento nos tópicos de microbiologia acerca dos sintomas e profilaxia das infecções venéreas mais comuns no Brasil, com o fito de proporcionar um entendimento a respeito dos efeitos do desuso de preservativos e erradicar o tabu existente. Destarte, o contexto hodierno brasileiro distanciar-se-á do episódio europeu e ter-se-á cidadãos sensatos de que, conforme Schopenhauer, o maior erro humano é o sacrifício da saúde a qualquer vantagem.