O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 29/09/2019
A série “Sex Education”, da plataforma Netflix, retrata o sucesso da terapia sexual promovida por Otis, aluno da escola Moordale, ao ajudar seus colegas lidarem com a sexualidade. Fora da ficção, percebe-se o descaso dos jovens brasileiros com as doenças sexualmente transmissíveis. Nesse contexto, a negligência em abordar o assunto e a banalização das consequências promovem o aumento das infecções que devem ser combatidas.
De início, é notório o conservadorismo em deliberar sobre o sexo. Isso porque, segundo o filósofo Michel Foucault, existe repressão e medo pela sociedade, que associa falar sobre o assunto com o aumento da sua prática. Dessa forma, os jovens não encontram, por vezes, nas instituições sociais, diálogos esclarecedores relacionados à sexualidade em virtude do tabu. Logo, essa situação resulta na dificuldade dos jovens em buscar tratamentos por receio dos julgamentos.
Aliado a isso, a desconsideração das consequências negativas da falta de proteção contribui para o aumento dos casos. Nesse âmbito, a Pesquisa Nacional sobre Saúde Escolar, divulgada em 2016, demonstrou que 43,4% dos jovens não se protegeu durante o sexo casual. Tal situação relacionada com a não vivência dos impactos dos falecimentos de grandes ídolos na década de 1990 pela Aids, como o cantor Cazuza. Com isso, doenças, como HPV, podem afetar a vida inteira pelo tratamento apenas dos sintomas.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de combater as doenças sexualmente transmissíveis. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia a criação de um aplicativo contendo as principais informações sobre sexo e seus riscos, por meio de vídeos de profissionais da saúde com linguagem acessível. Esse aplicativo deve ser divulgado nas escolas para reduzir os impactos da negligência. Desse modo, a questão da sexualidade entre os jovens brasileiros será vista de maneira natural e terá êxito como na série.