O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 29/09/2019
O descobrimento do retrovírus HIV como causador da AIDS, em 1983, guiou a busca por tratamentos eficazes para aquela que foi a grande vilã da década de 1980, matando mais de 25 milhões de pessoas tornando-se segunda doença infecciosa mais mortal da história, atrás apenas da tuberculose. Indo em contra-mão ao fluxo mundial, o Brasil oferece tratamento gratuito para os seus cidadãos não só para essa, como também para todas as outras DSTs.
Entretanto, tal facilidade na busca à tratamentos para doenças sexualmente transmissíveis causou um irônico efeito colateral: uma vez que essas não são mais vistas como um mal incurável, mesmo após campanhas de conscientização, do ideal de sexo seguro ser amplamente divulgado e a disponibilização de preservativos em postos públicos de saúde, o número de DSTs entre jovens brasileiros aumentou.
Visto que as gerações mais novas não presenciaram a maior pandemia da segunda metade do século XX, a AIDS, o destemor por essa é de fácil entendimento. Apesar de saber-se do quão mortal ela foi, o mundo em que esses nasceram já não sofria com as suas consequências e toda a histeria por ela causada. A eles foi apresentado um mundo em que a AIDS estava controlada, as suas vítimas fatais estão limitadas a um continente longe e muito fora das suas realidades.
Ainda, ao menosprezar o quão grave uma DST pode ser, também ignora as suas consequências. Apesar de algumas apresentarem tratamento fácil, rápido e pouco invasivo, outras não possuem cura sendo crônica e o acompanhamento médico regular necessário. Além disso, o HPV, uma das mais comuns DSTs, pode levar ao câncer de colo de útero, vulva ou vagina.
Desse modo, mesmo havendo iniciativa por parte do Ministério da Saúde, ainda há muito a ser feito. Com o surgimento de aplicativos de relacionamentos, como o Tinder, o número de relações sexuais casuais tende a aumentar, e ao não se proteger, o número de pessoas infectadas por DSTs também crescerá. Por conseguinte, visando reverter esse quadro, faz-se necessário políticas de afirmação sobre a gravidade dessas doenças, e também a ênfase nos métodos de prevenção, utilizando uma força conjunta entre o governo federal e os governos estaduais, buscando levar informação e assistência até os pontos mais remotos do país. Além disso, o papel da mídia se mostra imprescindível, ao usar o seu alcance para mostrar e divulgar os perigos das DSTs. Porque apesar de ser possível viver com elas, é melhor não tê-las.