O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 29/09/2019
Valéria Piassa, escritora brasileira, na autobiografia “Depois daquela viagem”, narra os seus medos e dúvidas após contrair o vírus da imunodeficiência humana (HIV) na adolescência, durante a década de 80. Sendo essa a realidade de muitos jovens que adquiriram alguma infecção sexualmente transmissível (IST), em uma época de difícil acesso a meios de informação sobre elas, além de muito preconceito. Ademais, com os avanços da medicina, existem diversos métodos preventivos e de tratamento de várias ISTs. Entretanto, devido à falta de medo dos adolescentes e da abordagem de temas como esse nas escolas, ocorre o crescimento de casos dessas enfermidades.
Em primeiro lugar, a transmissão das ISTs independe da idade, opção sexual ou classe social. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2016, dos indivíduos entre 18 a 24 anos diagnosticados com essas infecções, apenas 56% iniciaram o tratamento. Outrossim, isso demonstra a falta de medo por parte dos jovens sobre as complicações que aquelas podem ocasionar. Além de evidenciar que os avanços na medicina relativos aos tratamentos dessas infecções, apesar de extremamente benéficos, acabaram gerando um efeito negativo na população: a comodidade. Aids, sífilis, gonorreia e herpes são exemplos dessas doenças que diariamente recebem uma dedicação intensa nas pesquisas médicas, mas que, em contrapartida, tem seu número aumentado devido à falta de precaução da sociedade para com essas enfermidades, que supostamente não seriam tão graves hoje.
Em segundo lugar, as escolas continuam tendo papeis importantes na formação de consciência dos jovens, tornando-se ambientes ideais para discutir sobre educação sexual. Contudo, a falta de apoio por parte de instituições que deveriam promover esta concepção, como o Ministério da Educação e Cultura que, ao retirar da Base Comum Curricular termos como “orientação sexual”, demonstra um retrocesso na questão da discussão sobre a sexualidade, a desmitificação de tabus e a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Já que, são nesses locais que os estudantes aprendem não apenas fato, como também atitudes e noção sobre a importância da vida.
Portanto, torna-se fundamental, a abordagem de temas relacionados à saúde sexual. Logo, o Ministério da Saúde juntamente com as escolas, deve ofertar a disciplina de educação sexual para os pais e alunos, através de palestra e seminários com profissionais da área, como médicos e psicólogos. Com o intuito de discutir dados, métodos preventivos, meios para identificar os sintomas das infecções e as formas de tratamento de maneira mais adequada às relações atuais. Para que assim, sane as dúvidas daqueles, desmitificando tabus. De forma que, os jovens tenham consciência da importância desse tema e que as instituições de ensino continuem sendo locais de transformação.