O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 30/09/2019

O fenômeno da Revolução Sexual vivenciada na década de 1970 revelou uma geração que, embora menos presa ao conservadorismo e mais humanista, foi vítima dos caóticos sintomas da aids, a qual matou muitos e amedrontou outros. Hoje, tal fantasma do passado parece não mais causar medo diante da relativa evolução no tratamento de DST’s, fato que tem permitido o crescimento do número de casos entre jovens no Brasil, evidenciando problemas estruturais ,a saber, a ineficiência da educação sexual e a carência de empatia nas relações atuais.

Em primeiro plano, a falta de enfoque nas questões referentes à sexualidade nas escolas figura como empecilho na resolução do impasse. Quando o escritor e educador Rubem Alves afirma que a instituição de ensino deve representar para os menores local de preparação para a vivência em sociedade, ao dar-lhes a ferramentas úteis para exercerem cidadania, corrobora a necessidade de se fazer conhecer os riscos do comportamento irresponsável sexualmente, dado que ambos os praticantes, ao não os terem bem claro, estão sujeitos a males que poderão afetá-los até o fim de suas vidas, como tratamentos intermináveis e exaustivos. Nesse sentido, não esclarecer as gerações mais novas significa possibilitar a perpetuação desse funesto cenário.

Outrossim, o crescente individualismo e a objetificação do outro precarizam as relações na contemporaneidade, ao passo que reduzem o senso de responsabilidade quanto à saúde e bem-estar dos parceiros. Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, no mundo moderno as interações interpessoais tendem a, analogamente a um líquido, dar-se de forma mais fluida, o que, não obstante ser benéfico no âmbito das liberdades individuais, tem caracterizado sério perigo, uma vez que quanto menos conhecimento de com quem se relaciona, maior a probabilidade de ser objeto de violências, as quais, nesse caso, materializam-se no desconhecimento ou omissão das infecções.

Torna-se imprescindível, portanto, tomar medidas que coíbam o aumento de DST’s entre os jovens brasileiros. Para tanto, as escolas, públicas e privadas, aliadas às secretarias de saúde dos respectivos municípios, devem promover o claro entendimento dos alunos acerca dos efeitos dessas doenças para o indivíduo, por meio de aulas em sala e