O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 01/10/2019

A juventude brasileira da segunda década do século XXI convive com uma triste realidade: o aumento, entre jovens de 20 a 29 anos, do número de casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), que são aquelas transmitidas por meio do contato sexual, como a Aids. Segundo o UNAis, órgão das Nações Unidas que lida com a doença, só em 2016 o país registrou 48 mil novos casos, dado que vai em direção contrária da média mundial. O cenário é preocupante, pois ainda não há cura para a doença e, mesmo assim, os jovens têm negligenciado o uso do preservativo e vivido um momento de liberdade sexual, impulsionado pelos aplicativos de paquera.

O cantor Freddie Mercury e a sua luta contra a Aids, na década de 1980, voltaram aos holofotes no fim de 2018, com o lançamento mundial da cinebiografia do grupo Queen. No filme, quando o cantor descobre que tem a doença é como se ele recebesse um “atestado de morte”. Hoje em dia, no entanto, com o avanço da Medicina, os jovens têm banalizado a Aids e negligenciado o uso do preservativo. A descoberta de medicamentos cada vem mais potentes contra o vírus, como a profilaxia pós-exposição ao HIV, medicamento utilizado em pessoas que foram expostas ao vírus em casos extremos, como estupro, pode ter impulsionado a falsa crença de um novo tipo de prevenção contra a Aids, fato que poderia justificar, por exemplo, os cerca de 43% de jovens, segundo recente pesquisa divulgada pelo site UOL, que declararam fazer sexo casual sem camisinha.

Além disso, com o advento dos aplicativos de paquera, como Tinder, que facilitaram a interações e o contato entre as pessoas, e o momento de liberdade sexual vivido pelos jovens, as relações tornaram-se efêmeras e os laços humanos mais fracos. Dessa forma, trocar de parceiro constantemente não significa mais promiscuidade e risco à saúde, como na época do cantor Freddie Mercury. Pelo contrário, tornou-se algo banal. Dessa maneira, ao aumentar o número de parceiros, os jovens estão mais expostos aos riscos, fato que corrobora com o aumento no número de casos de Aids no país.

Em resumo, para frear o aumento no número de casos de Aids entre os jovens brasileiros, investir em informação é muito importante. Mas para que ela seja efetiva, é preciso falar a língua desse público. Cabe o Ministério da Educação, junto ao Ministério da Saúde, por meio de canais de comunicação que tenham penetração neste segmento da sociedade, tais como as redes sociais, alertar os jovens sobre a Aids e os seus riscos para a saúde. A figura de líderes que tenham apelo entre esse público, como os youtubers, pode ainda ajudar a promover a educação sexual de forma leve e assertiva, conscientizando a juventude atual sobre a importância do preservativo como item obrigatório e não opcional nas relações sexuais, formando, assim, adultos mais responsáveis com a saúde coletiva.