O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 07/10/2019
A morte de ídolos da música brasileira, Cazuza e Renato Russo, devido à infecção pelo vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA ou AIDS), causou um grande impacto nos jovens da época. Assim, a juventude da geração ‘‘Sexo, drogas e Rockn’ Roll’’ foram criando uma cultura de proteção contra as tão frequentes doenças sexualmente transmissíveis (DST’s). Porém, os anos passaram e, atualmente, não há um medo alarmante diante dessa problemática. Além disso, avanços alcançados pelas campanhas do Ministério da Saúde criaram uma falsa ideia da inexistência dessas doenças na geração atual. Então, o aumento no número de casos de DST’s está relacionado à existência de relações cada vez mais superficiais e à negação da ética Kantiana.
A priori, vivemos em um mundo de relações líquidas que valorizam a felicidade momentânea e desconsidera efeitos futuros. Isso é evidente no crescente uso de aplicativos de relacionamentos, como o ‘‘Tinder’’, nos quais interações duradouras são evitáveis. Dessa forma, há, em geral, uma grande rotatividade de parceiros sexuais e negligência no uso de preservativos durante o ato sexual. Então, doenças, como sífilis, AIDS, herpes e tricomoníase são facilmente disseminadas entre a população jovem. Tudo isso pode está relacionado às análises sociológicas de Zymunt Bauman, em que ele escreve sobre tempos líquidos, relações superficiais e influência da internet nas relações sociais.
A posteriori, a negação da ética Kantiana favorece o aumento de DST’s na juventude brasileira. Isso porque um dos princípios dessa ética é fazer o ‘‘bem’’ (obedecer à leis e a princípios morais) independente do contexto inserido. Então, o uso de preservativos pode ser entendido como uma máxima de saúde pública que independe da situação ou do parceiro sexual. Nesse sentido, usar camisinha é o único método contraceptivo e preventivo para doenças transmissíveis no sexo, dentre todos os outros disponíveis no mercado e no Sistema Único de Saúde, como pílulas hormonais, injeção hormonal e dispositivo intrauterino (DIU).
Portanto, é importante que escolas do ensino médio realizem eventos de educação em saúde, como semanas de saúde, para que haja o entendimento e legitimação da necessidade de usar preservativos, por meio de palestras, rodas de conversa e jogos. Além disso, o Ministério da Saúde pode criar uma comissão estadual permanente de combate às DST’s, formada por médicos, farmacêuticos, enfermeiros e agentes de saúde, para que existam campanhas planejadas e direcionadas para esse fim, durante todos os meses do ano, por meio de curso de capacitação de outros profissionais de saúde nos municípios e disponibilização de materiais educativos. Assim, a geração atual pode criar uma cultura de prevenção, sem necessidade da presença do medo da morte.