O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 08/10/2019

‘‘O meu prazer agora é risco de vida’’. Esse é um trecho da música Ideologia, do famoso cantor brasileiro Cazuza, vítima de uma DST. Infelizmente, a realidade dos jovens hoje não está distante da vivenciada pelo astro, haja vista o aumento das doenças sexualmente transmissíveis. Isso ocorre pela falta de educação sexual nas escolas e pelo imaginário popular acerca das doenças em questão.

É fundamental analisar que os jovens, dotados de hormônios e curiosidade, desejam desvendar o mundo, utilizando, para isso, a mente e o corpo, sendo o sexo um dos meios para essa descoberta e afirmação. No entanto, um tabu sobre práticas sexuais foi estabelecido desde a colonização com a vinda dos jesuítas, pois eles forneceram à vida social uma atmosfera permeada de moralidade católica, a qual condena os desejos humanos, dificultando, desde então, o atendimento das necessidades joviais. Por isso, não existe educação sexual nas escolas, importante para prevenir as DSTs, não apenas instruindo os jovens sobre o uso de preservativos, mas também colaborando para entenderem o funcionamento do corpo e o papel dele no descobrimento de si mesmo e do mundo.

No que tange às doenças sexualmente transmissíveis, vale ressaltar, ainda, que não apenas o tabu sobre o assunto, mas a onipotência juvenil também facilita o aumento das enfermidades. Tal fato existe porque o uso de preservativos, por mais que distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, ainda é negligenciado pelos jovens, pois pensam tudo poder. Prova disso é a pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, divulgada em 2013, comprovando que 45% da população sexualmente ativa do país não usou preservativo durante as relações sexuais casuais nos últimos 12 meses.

Nota-se, portanto, que a falta de educação sexual e a onipotência juvenil são determinantes para o aumento das doenças sexualmente transmissíveis no Brasil. Por isso, o Ministério da Educação, responsável por administrar o ensino no país, deve fornecer o aparato necessário para que o jovem entenda o próprio corpo e a relação dele com as DSTs. Isso deve ser feito por meio da mudança da grade curricular do ensino médio (já que é o período de maior curiosidade e ápice dos hormônios juvenis), que deve abarcar uma matéria específica para educação sexual. Desse modo, é possível ensinar aos alunos que sexo não é um problema, mas um mecanismo que deve ser usado com responsabilidade e consciência ao seu favor, durante o processo de descoberta, inerente à idade. Afinal, nenhum prazer deveria ser risco de vida.