O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 09/10/2019
A autobiografia de 1999, Depois Daquela Viagem, apresenta a real história de Valéria Polizzi, que descobriu ter sido infectada pelo HIV na década de 80, período em que a infecção era pouco conhecia e o incentivo à proteção individual não existia em amplitude. Analogamente, apesar dos avanços médicos e tecnológicos, a realidade atual do cenário brasileiro se encontra ainda em defasagem, uma vez que cada vez mais os números de Infecções sexualmente transmissíveis crescem. Isso se deve ao fato da questão sexual no Brasil ainda ser um tabu, atrelada à negligência educacional sobre o tema. Sendo assim, faz-se necessário analisar a problemática, garantindo meios para cessá-la.
Em primeiro lugar, é necessário ressaltar o histórico conservadorismo presente na questão da sexualidade brasileira. A persistência de um patriarcado na sociedade corrobora para a desvalorização do diálogo sobre o corpo humano, assim como suas relações. Isso pode ser exemplificada por meio da pesquisa do Ministério da Saúde de 2016, em que apenas 56% das pessoas entre 18 e 24 anos que descobriram uma doença sexualmente transmissivel buscaram tratamento. Nesse sentido, vê-se que não há uma construção de acolhimento sobre o tema, tampouco sobre seus modos de erradicação.
Tal afastamento da temática é acentuado com a negligência estatal em não buscar desenvolver a educação sexual nas escolas. Enquanto em países como EUA e Holanda a matéria é apoiada pela maioria dos responsáveis, no contexto nacional ela não possui fortalecimento adulto, devido ao errôneo pensamento de que seria inapropriado. Sem estruturas no ambiente escolar, o jovem chega a idade adulta sem conhecer as adversidades que carregam o sexo, aumentando a falta de informação e também o número de idosos vulneráveis às doenças desse tipo.
Dessa maneira, deve-se atentar que o despreparo escolar somente corrobora para uma ignorância em massa, que auxilia na piora da erradicação do problema. Assim, é possível perceber que as doenças sexualmente transmissíveis ainda são um tabu na sociedade, devido ao conservadorismo e ao despreparo governamental. Cabe, então, ao Ministério da Educação, como órgão responsável pela amplitude do conhecimento de crianças e jovens, a implementação da conscientização sexual nas escolas, por meios de aulas de educação e sexualidade, com professores especializados, psicólogos e psicopedagogos, com a finalidade de sanar as dúvidas e abranger o diálogo. Além disso, cabe também ao governo a criação de propagandas em canais abertos que informem sobre o tema. Somente compreendendo esses fatos, será possível desvincular do tradicionalismo e caminhar para uma sociedade mais compreensiva