O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 14/10/2019
Aproximadamente 40 anos se passaram desde o surgimento da mais temida DST, a AIDS. Ainda sem uma cura, o medo da contração dessa doença fez com que propagandas de prevenção e uso de preservativos fossem eficazmente divulgados principalmente nas décadas de 80 e 90, quando ícones da sociedade faleciam em decorrência dessa doença (Freddy Mercury, Cazuza, etc). Atualmente, na contra-mão do que esperaríamos de uma sociedade muito mais informada do que daquela época, dados preocupantes revelam que o número de DST’s entre jovens no Brasil está crescendo alarmantemente. Esse é um problema que necessita reflexão e urgente solução.
Primeiramente, é importante frisar que não é a falta de informação que tem feito subir os casos de DST’s entre os jovens. Observa-se que a faixa de idade mais preocupante são os brasileiros entre 15 e 24 anos, que contribuíram com um avanço de 85% nos casos, apenas nos últimos 10 anos, segundo dados do ministério da Saúde. Curiosamente, essa faixa de idade é a mesma daquela com mais facilidade de acesso à informação atualmente, seja através da grande mídia ou mesmo através da internet. Sendo assim, não é a falta de informação que tem afetado os jovens, mas possivelmente a eficácia com que a mesma atinge essa classe etária.
Da mesma forma, não é a falta de avanços médicos na área que explica o aumento do número de casos. Muito pelo contrário, hoje em dia os medicamentos permitem uma sobrevida muito mais digna e menos sofrida do que aquela que observávamos nas décadas de 80 e 90, quando o medo do contágio crescia assustadoramente devido à contínua exposição midiática de celebridades em estágios terminais de DST’s. Durante essas décadas iniciais, era o medo, portanto, que gerava cautela e obediência às propagandas de prevenção, aumentando a adoção ao uso de preservativos.
Em vista desses fatos, torna-se primordial que o combate ao aumento do número de casos de DST’s entre jovens seja aprimorado, tendo como parâmetro a realidade atual que, obviamente, não tem o mesmo enfoque das décadas passadas. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde adequar novas campanhas de combate às DST’s ao cotidiano do jovem brasileiro. isso deve ser feito diretamente nos pontos de maior influência da temática sexual, colocando material informativo dentro de aplicativos de relacionamento e namoro pelo celular e distribuindo preservativos em mais pontos das cidades e não somente nos postos de saúde. O material de divulgação deve ser atual, trazendo à mente do cidadão o prejuízo real que várias DST’s, e não somente a AIDS, podem trazer à saúde e qualidade de vida em geral. Com isso, podemos esperar que dentro de um tempo, o número de novos casos de contaminação volte a cair e a saúde pública retorne a patamares menos preocupantes que o atual.