O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 21/10/2019

O filósofo alemão Hegel, no século XIX, propõe uma analogia cujo teor auxilia a pensar nas questões sociais que envolvem o curso da história: “A coruja de minerva só voa ao anoitecer”. Nesse sentido, sua proposição revela que é preciso um decorrer de tempo a fim de que o Homem alcance sabedoria para lidar com suas questões desafiadoras. Tendo isso em vista, pode-se afirmar que, na contemporaneidade, o aumento de doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens brasileiros acentua-se devido ao Estado falhar em assegurar com inteligência recursos médicos necessários para o tratamento, bem como a falta de diálogo familiar. Assim, hão de ser analisados tais fatores, com o propósito de liquidá-los de maneira eficaz.

De fato, há contratualmente a missão de a constituição ser cumprida por todos os governos. No entanto, podem-se perceber comportamentos omissos por parte do Estado, o qual pouco fiscaliza se as verbas públicas destinadas à compra dos medicamentos pelos postos de saúde são efetivamente distribuídas e usadas para sua principal finalidade. A exemplo do exposto, é cabível pontuar dados coletados pelo jornal O Estado de São Paulo, em 2018, no qual consta que 16% dos postos de saúde que oferecem tratamento para DSTs no país encontram-se com baixa oferta de medicamentos, além do irregular recebimento de verba pública. Nesse sentido, a fiscalização que cabe ao poder público apresenta-se de forma parca, falhando em cumprir o artigo 6 da Constituição e corroborando para o aumento dos índices de jovens doentes no país.

Além disso, destaca-se a falta de comunicação familiar como impulsionador dessa problemática. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jürgen Habermas, no qual conceitua a ação comunicativa como a capacidade de uma pessoa em defender seus interesses em prol do bem coletivo, demandando ampla informatividade prévia. De maneira análoga ao conceito exposto, é possível perceber que, no Brasil, o aumento do número de DSTs entre os jovens rompe com essa ação comunicativa proposta, haja vista que os pais ainda tratam o assunto como um tabu, fator que alimenta, por exemplo, o medo dos filhos em sanar as dúvidas que rodeiam o início da vida sexualmente ativa.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro de DSTs entre os jovens brasileiros. Para isso, a fim de minimizar a corrupção de verbas públicas destinadas à saúde, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com a Polícia Federal, fiscalize o método de depósito das verbas governamentais, através de programas digitais que identifiquem o desvio e seu responsável. Além disso, cabe as escolas ministrar rodas de conversas com os pais objetivando a criação de um maior diálogo familiar. Somente desse modo, o Brasil será capaz de alçar o voo proposto por Hegel.