O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 22/10/2019

Fernanda, personagem da série “Os dias eram assim”, da rede Globo, fica perplexa ao descobrir que possui AIDS, ainda mais, por esta enfermidade ser uma novidade para época retratada, década de 1980, já que o vírus que transmite a doença foi descoberto em 1983. A surpresa de Fernanda, assim, é coerente, pois, até a comunidade científica, no período retratado estava investigando, como, realmente, a doença é transmitida e como poderia ser evitada. A incoerência é que o número de DSTs aumenta, tal como a Secretária da Saúde informou, foram 29 mil casos entre os jovens, nos últimos anos, mesmo após descoberta e divulgação ,ampla, de como a AIDS e outras DSTs-Gonorreia, Sífilis, Hpv- são adquiridas -por meio de campanhas, palestras e livros- e a distribuição gratuita de preservativos, medidas profiláticas para estas. Assim, é imprescindível, analisar, detalhadamente, as causas, do cenário atual,que perpetuam o aumento de DSTs, entre a população de 20 e 29 anos, no país.

Antes de tudo, é preciso ressaltar que há uma certa glamourização entre adolescentes, infelizmente, em ter relações sexuais sem o uso de camisinhas. Isso ocorre, devido ao contexto “líquido”, isto é, efêmero, a qual todos estão inseridos. Sob esta ótica, o sociólogo polônes, Zygmunt Bauman, escreveu em seu livro “Amor Líquido”, que a falta de incertezas sobre o futuro, faz todos desejarem a felicidade imediata a todo custo, mesmo que, após a satisfação, temporária, desta, tenham consequências,a longo prazo, severas para vida. Assim, fica nítido, a idealização da não adoção de medidas profiláticas: prefere-se o prazer individual, que a sensação do sexo proporciona sem camisinha, à não contração de doenças, as quais podem até levar a morte, consequência, já divulgada.

Outrossim, ainda sob a análise de Bauman, há também insegurança com as relações conjugais entre os jovens. Nesta lógica, de sociedade “fluída”, o medo, de perder o parceiro ou insistir que ele use preservativos, torna o ser passível de aceitar, qualquer coisa, incluído nisso, a contração de doenças, a fim de assegurar o recebimento de carinho e amor, mesmo que temporário. Além disso, o escritor português, José Saramago escreve, em seu livro “Ensaio sobre a Cegueira”, o medo impede o ser de mudar e reconhecer sua responsabilidade social, tal como, a de se cuidar, para não transmitir as DSTs.

Estimular, portanto, meios que concretizem a ideia do eterno, a fim de que o jovem se sinta seguro a respeito de si, a ponto de não por sua vida em risco por submissão ao medo, e saiba que a felicidade, a longo prazo, também é algo a ser estimado. Com base nisso, o Ministério da Educação deve instituir como obrigatória, uma aula semanal, a qual se discuta sobre a sociedade líquida, a fim de que o aluno entenda o porquê dele estar persistindo no erro de não usar preservativos. Além disso, deve-se continuar as campanhas já existentes. Só assim, Fernandas, deixarão de se contaminar, no século XXI.