O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 28/10/2019
No episódio “Uma Clínica Peculiar”, a animação “Big Mouth” aborda a questão das doenças sexualmente transmissíveis com os personagens jovens da trama. Fora da ficção, essa discussão também é de extrema relevância, uma vez que o aumento das DSTs entre esse grupo, infelizmente, é uma realidade. Sobre essa conjuntura, observa-se a não utilização dos preservativos e a ausência de educação nas escolas como causas principais. Com efeito, medidas devem ser criadas para mitiga-las.
A priori, é necessário pontuar que, por negligenciar o uso das camisinhas, o jovem contrai as infecções com facilidade, o que gera o aumento do número de casos. Isso ocorre, pois a utilização do preservativo é o único método eficaz para proteger-se contra as doenças adquiridas pelo sexo, logo, ao não utiliza-lo, o jovem está sujeito à contraí-las. Ainda assim, nota-se que essa parte da população tem essa atitude durante o ato sexual, como mostrado pela pesquisa do Portal Drauzio Varella, cujos dados apontam que 60% dos jovens não utilizam a camisinha. Como consequência disso, o princípio do filósofo Hipócrates - o qual afirma que a prevenção é a melhor forma de controlar doenças - é quebrado e a incidência dessas patologias eleva entre o grupo em questão.
A posteriori, também é importante ressaltar a não existência do ensino sobre as relações sexuais e suas consequências no meio escolar brasileiro, uma vez que isso contribui para o alienamento dos jovens sobre o assunto. De acordo com o sociólogo Emile Durkheim, em sua teoria do “Fato Social”, o indivíduo é moldado a partir das instituições sociais, como a escola, a qual instrui o mesmo a habituar-se ao meio e proteger-se de possíveis perigos. Imerso nessa lógica, pode-se inferir que, por não ser ensinado sobre como lidar com a questão do sexo desde a educação básica, o cidadão jovem não consegue identificar a real gravidade das ISTs e, assim, torna-se sensível às mesmas. Prova disso é o fato de o Brasil apresentar 6 em cada 10 jovens infectados, enquanto na Alemanha, país com educação sexual implementada, o índice é de 1 para 10.
Portanto, é evidente que a expansão das mazelas sexualmente transmissíveis entre os jovens é um grave problema no país. Dito isso, cabe ao Ministério da Saúde, como órgão responsável por esse âmbito, propagar campanhas de estímulo à utilização do preservativo, direcionadas aos jovens, por meio de redes virtuais, com a finalidade de aumentar o uso desse método de prevenção. Além disso, o Ministério da Educação deve incluir a educação sexual no ensino brasileiro, por intermédio da inserção da mesma na Base Nacional Curricular Comum, a fim de desenvolver o senso crítico sobre esse assunto nos cidadãos brasileiros. Feito isso, as doenças sexuais participarão da vida do jovem apenas na animação “Big Mouth”.