O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 30/10/2019
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra cerca de 40 mil novos casos de HIV por ano. Embora o número de infectados pela doença esteja em declínio, ainda é alarmante o registro de jovens portadores de DST’s no país, refletindo a banalização do sexo protegido e a falta de diálogo sobre o assunto nas escolas.
Ao contrário dos anos 80, quando muito se falava da AIDS, a redução dos casos de infectados fez com que houvesse uma consequente diminuição nas divulgações de métodos preventivos de DST’s, fazendo com que a trágica história de figuras públicas vítimas da infecção na época como Freddie Mercury e Cazuza, caíssem no esquecimento da população. Nesse sentido, muitos jovens da atualidade não usam camisinha por acreditarem que não correm o risco de se contaminarem. Tal problemática atrelada ainda ao fato de muitas DST’s serem silenciosas e de difícil identificação visual, aumentam exponencialmente as chances de contágio.
Ademais, a ausência da educação sexual nas escolas resulta na administração incorreta dos instrumentos preventivos, uma vez que muitos jovens não possuem abertura para dialogar sobre sexo com a família. Tal questão, é resultado de um tabu construído ao longo da história, que é discutido na teoria do filósofo Michel Foucault, que afirma existirem temas silenciados na sociedade e que os problemas atribuídos a eles só poderão ser resolvidos quando forem colocados em pauta.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Cabe ao Ministério da Saúde promover o uso de preservativos por meio da criação de campanhas nacionais nas mídias televisivas e nas redes sociais, que relatem dados que comprovem o aumento dos casos de infecções por DST’s e a importância do uso da camisinha, para que mais jovens percebam a gravidade desses contágios e pratiquem sexo seguro. Além disso, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, deverá colocar em pauta as dúvidas dos alunos sobre sexo e as formas adequadas de utilização dos métodos preventivos, por meio da inclusão obrigatória de aulas de educação sexual nas escolas, ministradas por profissionais qualificados, a fim de acabar com o tabu enraizado na sociedade. Somente assim, será possível diminuir significativamente o número de portadores de infecções sexualmente transmissíveis relatados pelo governo.