O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 30/10/2019

O filósofo francês Sartre defendia que a cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, nota-se uma contradição quanto a irresponsabilidade da população jovem brasileira no que concerne ao aumento das doenças sexualmente transmissíveis (DST’S) hodiernamente no país. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos em virtude da falta de conscientização acerca da transmissão e prevenção, bem como da negligência popular no que tange à falsa confiança advinda dos avanços na medicina.

Em primeira análise, vale ressaltar que a falta de conscientização de jovens no que tange as DST’S emerge como alicerce ao entrave. Ao tratar as doenças sexualmente transmissíveis como um tabu, o assunto torna-se banalizando, causando constrangimento e consequentemente, a falta de compreensão acerca da importância da prevenção e do tratamento das mesmas. Segundo o escritor Aldous Huxley: “Os fatos não desaparecem apenas porque são ignorados”. Nessa perspectiva, fica evidente que quando não se dá devida atenção e informação aos jovens, torna-se muito mais provável a falta de cuidado e a proliferação de doenças que prejudicam a saúde do indivíduo.

Concomitante a isso, é irrefutável que embora tenha ocorrido avanços no conhecimento científico da medicina, a incidência das DTS’S tem relação direta com a displicência acerca da importância e da prevenção de doenças no meio jovem. Vacinas, medicamentos e a criação de anticoncepcionais, trouxeram maior qualidade e segurança para saúde da população brasileira. No entanto, o que deveria ser usado como auxílio em casos extremos, tornou-se desculpa a não precaução. De acordo com o site Uol, 60% dos jovens entre 15 e 24 anos, fizeram sexo sem preservativo e 2 em cada 10 jovens, acham que existe uma cura pra Aids. Em vista disso, a falsa ideia de segurança e a benevolência dos jovens contribui ao contínuo aumento das infecções sexuais no país.

Diante o exposto, o Ministério da Saúde, em parceria com o MEC, deve propor uma alteração na matriz curricular nas instituições de ensino brasileiras, acrescentando a disciplina de educação sexual, que somada a palestras e amostras - administrada por psicólogos e profissionais da saúde - possam orientar e promover a autoproteção, com objetivo de mitigar os tabus e deficiências de informações acerca das doenças sexualmente transmissíveis aos jovens. Ademais, cabe aos veículos midiáticos nacionais, fomentar a conscientização, por meio de propagandas e programas que enfatizem a importância de prevenção e da realização de exames, com fito de evitar que indivíduos passem anos sem saber se estão infectados. Assim, espera-se fazer jus a máxima de Sartre, com a formação de indivíduos livres e responsáveis.