O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 16/12/2019
Sífilis, AIDS, gonorreia. Diversas são as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) que se alastram com rapidez entre os jovens no Brasil. Ao longo do processo de formação do imaginário coletivo juvenil, o aumento do número de casos de DSTs perpassou a identidade do país e fez-se regra de maneira sistemática. Com efeito, esse panorama de desconstrução da saúde entre os jovens, fruto da banalização mediante os sucessos de tratamentos e da negligência estatal em reverter esse quadro, mostra-se um desafio a ser superado com urgência.
Em primeira instância, sob a ótica sociológica, o sucesso nos tratamentos de diversas DSTs motiva a banalização das mesmas, haja vista que os jovens acreditam que são doenças “tratáveis” e, portanto, tendem a se proteger menos e a esquecer de usar preservativos em suas relações sexuais. Além disso, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 40 mil novos casos de DSTs foram relatados no país no ano de 2019. Dessa maneira, cabe ressaltar que a manutenção dessa problemática decorre das práticas sociais vigentes, nas quais os jovens, por descuido ou desinformação, não se protegem contra essas doenças de maneira adequada.
Em segundo lugar, o descaso estatal em reverter esse alarmante cenário fomenta a sua continuidade, visto que propagandas e campanhas acerca das DSTs são exploradas apenas em períodos festivos como o carnaval. Ademais, essa realidade materializa a concepção de Banalidade do Mal, de Hannah Arendt, cuja base filosófica buscava compreender como atitudes e situações negativas podem ser naturalizadas e, posteriormente, internalizadas por uma sociedade. Assim, nota-se a estreita relação entre a banalidade do mal, percebida pela filósofa alemã, e da banalização quanto à contração de doenças entre os jovens brasileiros.
Portanto, é perceptível que a banalização das DSTs e a negligência do Estado são desafios à saúde nacional. Visto isso, a fim de garantir acentuada melhora nesse panorama, cabe ao Governo Federal, via Ministério da Educação, por meio da inclusão de aulas de educação sexual na Base Comum Curricular Nacional, promover a consciência acerca das doenças sexualmente transmissíveis e, também, métodos de prevenção. Adicionalmente, a mídia pode realizar campanhas de conscientização em suas plataformas midiáticas. Dessa forma, todos os cidadãos serão beneficiados e a concepção de Hannah Arendt não mais será uma realidade tangível no contexto nacional.