O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 16/01/2020
A camisinha, ao contrário do que muitas pessoas pensam, é uma invenção bastante antiga. Os egípcios utilizavam envoltórios sobre o pênis feito de linho, pele e materiais vegetais. Em 1960, com a invenção da pílula anticoncepcional, a camisinha deixou de ser utilizada, pois a preocupação em métodos contraceptivos foi superior a métodos de evitar doenças sexualmente transmissíveis, o que evoluiu para uma epidemia de AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) nos anos 90. As consequências individuais e coletivas, como a discriminação e a segregação de uma parte da população que possui alguma DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), são alarmantes.
Em primeiro lugar, a desinformação entre os jovens – evidenciando a ineficiência do Estado – é algo pernicioso à saúde coletiva. De acordo com o Departamento de DST, AIDS e Hepatites virais do Ministério da Saúde, houve um aumento expressivo de brasileiros, entre 15 e 19 anos, infectados – uma variação de 187,5% com a transição da estimativa de 2,4 para 6,9 em cada 100 mil habitantes. A elevação dessa taxa pode ser explicada pela falta de informação sobre as DSTs, mostrando que a sociedade continua com uma mentalidade retrógada para o uso da camisinha, por consequência, ainda vivemos em uma realidade de epidemia de AIDS, assim como nos anos 90, porém apenas mais dissimulado.
Outro ponto é o preconceito vivido pelos acometidos por essas doenças, que sofrem repressão, segregação e mesmo violência física por sua condição, o que pode levar a traumas e danos psicológicos. Evidenciando a falta de políticas públicas que possam garantir a inclusão desse grupo, segundo o filósofo e sociólogo Habermas, “incluir não é só trazer para perto, mas também respeitar e crescer junto ao outro.” Enquanto o Estado não assegurar a busca por políticas públicas de inclusão e informação, tais minorias continuarão sofrendo práticas discriminatórias ou isolamento social.
Tendo em vista tudo o que foi mencionado, faz-se necessário que as medidas cabíveis sejam postas em pratica, com o intuito de melhorar a vida dessas pessoas. É de suma importância que o Ministério da Saúde realize campanhas midiáticas para toda a população, sobre os riscos da DSTs, e também orientado o uso da camisinha, alertando assim a população em todas as épocas do ano. Também existe a necessidade de acompanhamento psicológico oferecido pelo SUS, para os indivíduos que já possuem alguma DST, para uma melhora significativa na qualidade de vida. Ademais, existe a indispensabilidade de parcerias entre as escolas e o Ministério da Educação, para promover palestras e oficinas sobre educação sexual, ministradas por professores e médicos da comunidade, visando o maior acesso à informação adequada.