O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 16/03/2020
Em um dos episódios da série Sex Education, alunos desinformados de uma determinada escola entram em pânico após boatos de que um surto de clamídia está se espalhando entre os estudantes. Não distante da ficção, o crescimento desenfreado das taxas de Doenças e Infecções Sexualmente Transmissíveis, as DSTs e ISTs, entre a população jovem brasileira nos últimos anos, vem causando alarde nos órgãos de saúde do país. Tais números alarmantes encontram a sua principal causa na banalização do uso de preservativos pelos adolescentes durante as relações sexuais, que por sua vez, advém da ineficácia da política de educação sexual do governo brasileiro.
Antes de tudo, deve-se ressaltar que, a razão do aumento de jovens contaminados por DSTs está na negligência em relação à proteção sexual. De acordo com dados liberados pela ‘Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na população brasileira (PCAP)’ em 2016, seis em cada dez jovens entre 15 e 24 anos, participantes da pesquisa, haviam tido algum tipo de relação sexual sem proteção no último da realização da entrevista. Esses dados levam a causa primeira desse comportamento, a desinformação que, geralmente, faz com que os jovens acreditem que o uso do preservativo é algo desnecessário.
Em seguida, assim como no caso do episódio retratado na série anteriormente citada, o descaso para com a educação sexual de jovens no Brasil faz com que a desinformação se alastre na mente do indivíduo, evitando que o mesmo se proteja. Isso pode ser visto nos números a respeito de novos casos DSTs detectados em jovens, na faixa etária de 15 a 24 anos, divulgados pelo Ministério da Saúde em 2014, no qual houve um aumento de 35% em 10 anos. Essa é a comprovação de que a desinformação presente entre essa população causou um retrocesso na tão bem sucedida campanha de prevenção governamental.
Logo, a fim de combater esse problema e diminuir os números de DSTs entre jovens no Brasil, deve haver uma junção do Ministério da Saúde ao Ministério da Educação. Essa parceria resultaria em uma cartilha informacional que seria disponibilizada nas redes de escolas públicas por todo Brasil, tendo como alvo principal jovens na faixa etária acima dos 15 anos, garantindo que os mesmos tenham acesso a uma formação que evite a prática sexual desprotegida. Além disso, a realização de campanhas publicitárias veiculadas no rádio, TV e redes sociais devem conter informações acerca dos perigos da prática sexual desprotegida e os males que disso advém. Assim, poderemos evitar que a desinformação provoque mais vítimas de um mal tão facilmente prevenível.