O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 14/02/2020
Conforme a Constituição Federal de 1988, documento de maior hierarquia nacional, é dever do Estado garantir à população o direito à saúde. No contexto hodierno, entretanto, face à crescente disseminação de infecções sexualmente transmissíveis entre os jovens, esse regimento não é, na prática, alcançado. Nesse ínterim, cabe analisar os efeitos dessa conjuntura, decorrente não só da manutenção do sexo desprotegido, mas também da ineficiente ação de órgãos como a família e o núcleo estatal.
Convém pontuar, em primeiro plano, a continuidade de práticas sexuais sem proteção como um fator preponderantemente responsável pelo aumento dos casos de ISTs no país verde-amarelo. Sob essa máxima, a pesquisa da segunda edição do projeto “Este Jovem Brasileiro” revela que 71% dos jovens iniciam a vida sexual sem usar camisinha e, dessa parcela, 46% não faz uso habitual de preservativo durante o sexo. Tais estatísticas demonstram, lastimavelmente, como os relacionamentos íntimos e sexuais são banalizados pelo corpo civil, tendo em vista que, em suma, os adolescentes ignoram a possibilidade de transmissão de infecções sexuais e, a partir disso, mantêm a cultura da relação desprotegida, corroborando tanto para um quadro de vulnerabilidade para esses indivíduos, quanto para um cenário de desafio no que cerne à promoção de saúde plena no Brasil.
Outrossim, a inópia de esferas sociais, como a família e o Estado, catalisa essa problemática em questão. Sob essa ótica, não pecou o sociólogo Zygmunt Bauman ao defender, no âmbito vigente, a responsabilidade interpessoal, ou seja, o impacto que é causado na vida de uma pessoa quando alguém faz ou, principalmente, deixa de fazer algo. Em síntese, à medida que a estrutura familiar ausenta-se acerca do desenvolvimento de uma orientação sexual e permanece tratando a temática como tabu, enquanto os agentes governamentais não colabora de maneira efetiva com projetos de combate e prevenção às ISTs, é mantido um panorama de instabilidade social. Isto é, a sociedade civil não modifica seu comportamento no que tange à exposição durante o ato sexual e tem como reflexo, portanto, a circulação de infecções provenientes do sexo.
Diante disso, urge medidas para a reversão desse quadro. Para tanto, o Ministério da Saúde, em união com o Ministério da Educação, por intermédio das universidades federais, deve desenvolver um projeto com os estudantes de medicina e enfermagem, intitulado “Saúde e Segurança”. Por meio dele, os discentes serão inseridos na comunidade para acompanharem os jovens, mantendo constante a divulgação de informações sobre as infecções sexuais, mediante seminários com a participação de pessoas já acometidas pelas infecções, a fim de propiciar atenção básica e atenuar a prática do sexo sem proteção, bem como os casos de ISTs. Assim, o ideal constitucional será alcançado.