O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 22/02/2020

Na série da Netflix, “Sex Education”, são apresentados diversos argumentos em relação a educação sexual existente nas escolas. Sendo um assunto caracterizado como “tabu” para a maioria da população, pode ser considerado um dos maiores motivos para o aumento significativo nos casos de DSTs existentes em todo o mundo. Desse modo, desconhecendo as origens dessas doenças, como aids, sífilis, clamídia e gonorréia, seu modo de transmissão e as principais informações sobre o contágio, é mais provável que a infecção aconteça. Com isso, é imprescindível que a educação sexual seja introduzida nas escolas, e que jovens e adultos conheçam as principais formas de prevenção e tratamento.

Em primeira análise, deve-se citar o enorme descaso do governo brasileiro e o repúdio que as pessoas  ainda possuem a respeito da educação sexual ser introduzida nas escolas. Em uma pesquisa feita pela Federação Internacional de Planejamento Familiar, é ressaltado o fato de que o Brasil possui o pior índice de educação sexual da América Latina, sendo comparado com Argentina, Chile, México e Colômbia. Com isso, os adolescentes acumulam suas dúvidas sobre a sexualidade, não apresentam possibilidades reais de conhecerem seu próprio corpo e, muitas vezes, acarretam situações constrangedoras e que poderiam ter sido facilmente evitadas com mais conhecimento sobre o assunto, que muitas vezes não é comentado no ambiente familiar.

Ademais, pode-se citar a importância da teoria da modernidade líquida, realizada pelo filósofo Zygmunt Bauman. Com as relações interpessoais cada vez mais rápidas e despretensiosas, apresentando uma individualidade exacerbada, a conversa é facilmente descartada por jovens e adultos. Sem chegar a um acordo pertinente, muitas pessoas se permitem aproveitar o momento, negando as consequências que terão de ser capazes de enfrentar à longo prazo. A conversa é uma etapa que não deve ser ignorada antes das relações sexuais, afinal algumas DST’s são silenciosas e podem estar presentes sem o conhecimento do portador, sendo necessário a realização de testes e exames.

Por conseguinte, é imprescindível que a educação sexual seja alvo de debate, sendo apresentados argumentos coerentes e compatíveis para que seja adicionada a grade estudantil. Com isso, é necessário que o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação e Cultura, crie campanhas e palestras para jovens e adultos, comentando a respeito das principais consequências decorrentes do “tabu” em relação a sexualidade. Em decorrência desse fato, os adultos devem reconhecer que os adolescentes necessitam de uma excelente base de estudos, sendo importante que conheçam seus corpos e os perigos acerca de relações sexuais desprotegidas.