O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 28/02/2020

Na série televisiva espanhola “Elite”, é retratada a história de uma adolescente de 16 anos, Marina, que contraiu o vírus da imunodeficiência humana (HIV), sendo a protagonista de uma classe social mais abastada. De maneira análoga, o aumento de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) entre os jovens brasileiros abrange diversos grupos socioeconômicos, o que revela falhas no setor educacional e na conduta familiar perante a abordagem da problemática. Nesse espectro, faz-se mister expor e viabilizar medidas para corrigir tal quadro caótico,haja vista que este compromete de maneira negativa na saúde psíquica e fisiológica dos indivíduos.

É imperativo postular, a priori, que a falta de uma abordagem ampla,nas escolas,acerca das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e de cuidados sexuais contribui para a ininterrupção do aumento de DSTs entre os jovens brasileiros. Nesse viés, percebe-se a negligência do Poder Público quanto à problemática nacional, tornando-a dispensável e banal, o que prejudica o bem-estar coletivo. Isso pode ser comprovado, em metodologias práticas, pela medida da ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, em iniciar campanhas em prol da abstinência sexual em janeiro de 2020, estendendo-se até o mês de fevereiro, devido às comemorações carnavalescas e ao feriado recreacional. Assim, é nítido que a ausência de seriedade governamental para com o tratamento da questão em pauta dificulta a solução desta.

Outrossim, a carência do diálogo familiar com os adolescentes fomenta esse quadro enfermo. Tal fato pode ser analisado à luz do filósofo iluminista John Locke, que afirma que o ser humano nasce como uma tábula rasa, em que sua forma de pensar é criada a partir do seu meio de vivência. Consoante a isso,  é possível perceber que a falta de debate,na esfera familiar,a respeito das medidas profiláticas de cunho sexual com o jovem aliena os indivíduos, impondo-lhes um pensamento restritivo e negativo acerca da questão. Logo, é substancial que medidas sejam efetivadas para reverter esse cenário, em que falar sobre o sexo é considerado um tabu.

Portanto, em vista dos argumentos citados, urge a necessidade de concretizar medidas para aplacar a situação. Destarte, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) deve criar uma disciplina específica voltada para a educação sexual nas escolas, a partir de aulas , debates e distribuição de materiais informativos, ordenados por profissionais da saúde e do setor educativo, como médicos, psicólogos e pedagogos, a fim de reduzir drasticamente o índice de DSTs entre os jovens brasileiros. Ademais, a instituição familiar deve debater acerca da questão com os filhos, por meio de diálogos. Assim, os indivíduos serão instruídos desde a infância e atenuar-se-á o problema nacional.