O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 21/03/2020

Desde os primórdios da humanidade, é possível encontrar tanto em pinturas rupestres, quanto em anotações históricas, a representação do uso de alguma proteção no ato sexual. Na contemporaneidade, diversos avanços na área de prevenção resultaram no desenvolvimento da camisinha - método mais eficaz contra doenças sexualmente transmissíveis - porém, dados mostram o aumento dessas doenças na população jovem. A partir disso, nota-se uma banalização e falta de preocupação dos brasileiros aliada à negligência governamental e familiar.

Convém ressaltar, a priori, que o descaso com o uso do método de prevenção e a desinformação, de parte dos jovens, sobre sexo e sexualidade, configuram uma das causas dessa problemática. Apesar dos avanços ininterruptos da medicina e da eficácia das propagandas sobre tais doenças infecciosas, a questão sexual ainda é um tabu na sociedade brasileira - ocasionando o surgimento de dúvidas e mitos. Nesse contexto, a ascensão do uso da pílula anticoncepcional corroborou uma maior preocupação com a gravidez indesejada, fazendo com que o medo das DSTs ficasse à margem do esquecimento. Diante disso, tem-se que as consequências do desconhecido e a perda do medo de doenças como AIDS, HIV e sífilis, desenvolvem, além de danos físicos, o preconceito enraizado socialmente.

Ademais, outro fator que ratifica o aumento de DSTs no Brasil é a inobservância estatal e familiar, uma vez que é papel do Estado fornecer acesso pleno à informação - não limitando tais propagandas sobre o assunto apenas em determinadas épocas do ano. De acordo com Bertolt Brecht, podemos mudar a realidade apenas quando somos instruídos. O pensamento do dramaturgo alemão mostra que, enquanto o Estado e as famílias não orientaram não só sobre os perigos das doenças, mas também como utilizar os preservativos, as estatísticas continuarão sendo alarmantes. Dessa forma, vê-se a importância da existência de uma educação sexual.

Diante do exposto, faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino e família, promova aulas de educação sexual - inseridas nas disciplinas de biologia e sociologia - e palestras destinadas aos pais destes jovens, por meio de explicações didáticas e linguagem própria, de maneira a garantir que o assunto seja debatido e, consequentemente, quebrado o tabu imposto. Além disso, o Ministério da Saúde, deve divulgar campanhas, por intermédio das redes sociais, midiáticas e de folhetos, enfatizando a importância da prevenção e os perigos da falta dela, a fim de alcançar maior conscientização. Assim, talvez, poder-se-á, instruir a população, mudar a realidade brasileira e reduzir a taxa de transmissão de DSTs.