O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 02/04/2020
De acordo com a Secretaria de Saúde do Brasil, nos últimos cinco anos, foram registrados 29 mil novos casos de DSTs entre os jovens. Esse é um dado deveras alarmante, que representa um sério problema de saúde pública e é reflexo do modo como um assunto tão importante, tal qual a educação sexual, é ainda visto como um tabu pela família e pelo Estado e da educação que não forma adequadamente os adolescentes e jovens para a prevenção desse mal.
Em primeira análise, é importante ressaltar o quanto o sexo permanece sendo um assunto evitado entre a família e a educação sexual compondo um alvo de discussões ideológicas e partidárias. O problema se agrava na medida em que o próprio governo corrobora essa visão, como prova o projeto de lei proposto pela atual ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, o qual tem o objetivo de incentivar a abstinência sexual entre os jovens brasileiros como forma de prevenir a gravidez precoce e a transmissão de DSTs. Essa é uma medida bastante ineficaz, pois não discute a importância do sexo seguro, como deveria, preferindo evitar a questão, e permite àqueles que deveriam se responsabilizar pela formação consciente da juventude o direito de se absterem dessa tarefa, o que faz a massa juvenil, por falta da devida instrução a respeito do tema, cometer ações equivocadas, como o não uso de preservativo, levando à possível contração das perigosas doenças sexualmente transmissíveis.
Além disso, tem-se também a escola como agente responsável pela disseminação, cada vez mais precoce,das DSTs no Brasil. Isso ocorre na medida em que a educação brasileira é, como descrita pelo pedagogo Paulo Freire, bancária, ou seja, apenas “deposita” conteúdos teóricos na mente dos alunos, sem se preocupar com seus efeitos práticos na vida dos adolescentes. Dentro dessa perspectiva, a escola não aborda a educação sexual, que inclui, entre outros aspectos, a discussão sobre a importância do uso de preservativos durante as relações sexuais e outras maneiras já existentes de se prevenir contra as doenças transmitidas através das mesmas. De tal modo, já estando ausentes dessa formação a família e o Estado, a escola contribui para a não formação dos adolescentes, que se tornarão adultos não conscientes acerca dos riscos da transmissão de DSTs.
Tendo em vista tal quadro, medidas devem ser urgentemente tomadas. É necessário que o governo tome partido nessa luta, através de palestras incentivadas pela gerência de cada estado, contando com a presença de especialistas da área, para instruir a família sobre como abordar o tema com seus jovens, de modo a minimizar a visão da prevenção sexual como um tabu. Também a escola deve conscientizar os adolescentes sobre o assunto, incluindo a disciplina de educação sexual em sua grade curricular, adequando-a para cada série, para que eles desenvolvam formação e prevenção adequadas.