O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 02/04/2020

A partir da década de 1960, teve início a revolução sexual, que, alavancada pelo movimento “hippie”, transformou para sempre o mundo ocidental. Com isso, as pessoas passaram a se relacionar mais sem a presença de laços matrimoniais e com vários indivíduos, o que pressupõe uma responsabilidade individual e coletiva. Entretanto, nos dias de hoje, percebe-se o aumento das ISTs entre os jovens brasileiros. Isso se deve a uma deficiente educação sexual nas escolas e à mídia, cuja função conscientizadora é, muitas vezes, subutilizada.

Num dos episódios da série australiana “Sex Education”, ambientada no meio escolar, os estudantes vão à histeria com um suposto surto de clamídia, uma das mais recorrentes ISTs inclusive no Brasil, e passam a adotar hábitos, como usar máscaras e evitar o toque entre pessoas – completamente ineficazes para a prevenção da patologia –, a fim de se protegerem. Ao perceber o caos, a escola decide intensificar as aulas de educação sexual com o intuito de orientar os alunos e, dessa forma, protegê-los. Fora da ficção, a ignorância sobre as ISTs é, frequentemente, uma realidade entre a juventude. Isso porque o sexo ainda persiste como tabu na sociedade, e as famílias nem sempre estão preparadas para fornecer todas as informações necessárias. Assim, é fundamental que, para a segurança dos jovens, as escolas assumam também o papel de educar sexualmente, alertando sobre o perigo de doenças.

Além disso, é preciso discutir a função da mídia em meio a essa questão. Nesse sentido, o filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella estreia o conceito de “mídia como corpo docente”, indicando a capacidade de formação e ensino que a mídia exerce sobre crianças e jovens. Levando isso em consideração, é essencial e mandatório que essa influência seja feita de maneira responsável, cabendo a esses veículos, ao abordar o tema da sexualidade em programas voltados ao público jovem, informar e conscientizar. Do contrário, com escolas que não orientam e uma mídia que “vende” o sexo como algo isento de responsabilidades, os números de infectados e doentes tenderão a crescer, logicamente. Haverá, além do prejuízo para a saúde individual, um ônus para a saúde pública.

Logo, o Ministério da Educação deve instituir, por meio de aulas obrigatórias ministradas por professores de biologia, o ensino de educação sexual nas escolas – dando ênfase às ISTs –, em prol da saúde. A mídia, por sua vez, deve se aproveitar do seu relevante espaço para agregar informação à vida dos jovens, por intermédio de novelas e séries juvenis que, ao tratarem do assunto, destaquem a importância do sexo seguro a fim de evitar o contágio por ISTs, bem como as consequências da falta de proteção.