O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 02/04/2020

Em 1983, o Brasil vivenciava o processo de fim da Ditadura Militar, provocando uma sensação de liberdade máxima nos jovens, que se manifestou através do uso de drogas injetáveis e relações sexuais sem preservativo. Dessa forma, tornou-se frequente a infecção por doenças sexualmente transmissíveis, sobretudo a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, que chegou a infectar mais de 400 mil pessoas em cinco anos. Apesar dos avanços tecnológicos capazes de combater as ISTs, na conjuntura contemporânea, tem-se observado um aumento expressivo nos casos no país, principalmente na faixa-etária entre os 15 e 24 anos. Isso ocorre devido à carência de informação a respeito das doenças, e a falta de acesso ao sistema de saúde  por uma parcela da população.

A priori, é necessário compreender que a educação é um fator determinante na prevenção e no combate das DSTs. Em um dos episódios da série “Sex Education”, os alunos de um colégio de ensino médio acreditam estar passando por um surto de Sífilis. Entretanto, apenas um pequeno grupo tem conhecimento sobre o que é a doença e suas formas de transmissão. Fora da ficção, os jovens brasileiros se encontram numa situação análoga, considerando que para muitas famílias, falar sobre sexo é um tabu, e são poucas as escolas que incluem a Educação Sexual em sua grade disciplinar. Tal fato, provoca uma sensação de invulnerabilidade nos jovens, descrita pela médica Marcia Richad no documentário “Carta Para Além dos Muros”, que defende que por desconhecer os riscos, o indivíduo se expõe deliberadamente, aumentando as chances de ser infectado. Desse modo, é especialmente importante que haja uma maior disseminação de informações sobre o tema.

Em segundo plano, é preciso refletir acerca das condições de saúde no Brasil em relação as patologias transmitidas sexualmente. Na Constituição Brasileira de 1988, consta que a saúde pública é responsabilidade do Estado, e portanto deve oferecer tratamento gratuito às DSTs. Porém, na prática, parte da população não possui acesso ao diagnóstico precoce, que somado a distribuição irregular de medicamentos e preservativos, tem como consequência a ineficácia do controle das doenças em âmbito individual e social. Além disso, muitos dos indivíduos infectados não possuem auxílio psico-terapêutico, essencial para o bem-estar ao longo do processo curativo.

Tendo em vista a importância de reduzir o número de casos de DSTs entre os jovens, faz-se necessário que haja ações intersetoriais entre a sociedade civil e as instituições de educação e saúde. Dessa forma, o MEC deve incluir a Educação Sexual na Base Comum Curricular, assim como promover palestras ministradas por especialistas na área, que abordem as formas de prevenção. Além disso, deve haver uma fiscalização por parte do Ministério da Saúde na distribuição medicamentos.