O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 29/03/2020

Segundo o site UOL, 6 em cada 10 jovens tiveram relação sexual sem o uso de preservativo no ano de 2015. A partir desse dado, depreende-se que a não utilização de camisinha, sobretudo, está atrelada ao aumento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) entre os jovens brasileiros, já que esse tipo de prevenção é o principal meio de combate às infecções, como a sífilis, causadas pelo sexo desprotegido. E o desuso de preservativos está relacionado à questão de a educação sexual ser vista como tabu na sociedade, sendo pouco discutida pela família e escola, principalmente.

A priori, uma das principais causas para o aumento de DSTs entre os jovens é a falta de educação sexual na família, já que esta deveria ser o principal meio de preparo para a iniciação da vida sexual dessa faixa etária, mas, por enxergar esse tema como um tabu, muitas vezes, as conversas no ambiente familiar sobre isso são cada vez mais escassas. Assim, a parcela juvenil tem como a mídia uma das principais fontes de informação nesse assunto, posto que segundo o filósofo Cortella, os pais terceirizam a educação dos filhos para o órgão midiático. No entanto, essa formação pelos meios de comunicação não é conscientizadora, pois, por exemplo, muitas novelas além de incentivarem o início da vida sexual precoce, também não massificam a importância do uso de preservativos, contribuindo para uma desinformação sobre as consequências, como adquirir uma DST, do sexo desprotegido.

Outrossim, conforme o educador Paulo Freire, a educação brasileira é “bancária”, ou seja, ela fornece o conhecimento ao aluno, mas não estimula a conscientização. A partir disso, percebe-se que a escola, por ter papel na formação do indivíduo, deveria contribuir para a diminuição no número de casos de jovens com DSTs, informando o indivíduo, eficazmente, de acordo com a sua faixa etária, sobre questões que envolvem a relação sexual e não apenas fornecer o conhecimento de como o sistema reprodutor funciona, como é feito muitas vezes. Logo, com a despreparação da escola sobre temas que envolvem esse assunto, já que segundo o jornal O Globo, 33% das jovens brasileiras não tiveram uma educação sexual no ambiente escolar, constantemente, a parcela juvenil busca soluções para os seus questionamentos na internet, sobretudo, tendo, em alguns casos, uma compreensão errônea.

Portanto, com intenção de os casos de jovens com DSTs diminuírem, é imprescindível que as escolas conscientizem as famílias sobre a importância de deslegitimarem a educação sexual como tabu, para que sempre discutam com os filhos sobre o tema, por meio de palestras, mesas redondas, com o apoio de psicólogos para mostrarem modos como os pais podem falar sobre esse assunto sem uma invasão à intimidade. Além disso, a instituição escolar também deve conversar com alunos acerca do tema, por meio de debates, com a ajuda de sexólogos, a fim de que as dúvidas dos jovens sejam esclarecidas.