O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 02/04/2020

“Tinha uma pedra no meio do caminho.” O poema do escritor modernista Carlos Drumond  de Andrade pode fazer referência à realidade brasileira relacionada ao aumento das DSTs entre jovens no Brasil. Essa é uma problemática antiga que ainda não foi atenuada devido a banalização existente sobre tal temática, aliada às ações pífias do setor estatal. Desse modo, é importante analisar medidas coesas que atenuem o quanto antes essa questão, de modo cada vez mais gradativo.

A priori, é possível que, há alguns anos, o medo relacionado as DSTs funcionavam como um “aliado” ao combate das transmissões. Hoje, com o aumento das informações mais acessíveis, tal fator perdeu “força” e a questão das doenças ligadas ao sexo são facilmente banalizadas, o que é preocupante. Isso, sem dúvidas corrobora o fato dessa temática já ser considerada um problema de saúde pública no país, podendo ser comprovada por meio de dados divulgados  pela Secretaria da Saúde  ao afirmar que, nos últimos 5 anos, houve registros de quase 30mil novos casos de DSTs entre jovens dos 20 a 29 anos. Ou seja, apesar de haver uma ampla campanha de informação à população sobre métodos preventivos seguros e  métodos de acompanhamentos médicos, a banalização do público - em suma, jovem - vai contra os princípios difundidos pela Secretaria de Saúde e profissionais da área. Com isso, é importante que os cidadãos sejam influenciados a irem contra tal banalização ainda enfrentada no país.

Além dessas análises, é possível afirmar também que o Estado é uma instituição social de caráter normativo que tem o dever de garantir os direitos básicos dos homenns- como previsto na Constituição Federal de 1988-, dentre eles, o acesso à informação e promoção à saúde de qualidade. Nesse viés o setor público é um importante aliado no desenfreamento das DSTs entre o publico jovem brasileiro. Pois, à proporção que se investe em educação de qualidade e saúde sexual desde a infância nas redes de ensino do país, mais críticos e conscientes será esses cidadãos num futuro próximo, ajudando assim na diminuição dessas transmissões e melhorando a realidade vivida por muitos indivíduos. Isso porque  a saúde da população vai ser melhorada, além de atenuar os problemas da rede pública de saúde que lidam com os tratamentos dos doentes.

Assim sendo, a fim de retirar gradativamente a “pedra no caminho” exposta por Drumond, é fundamental que o setor normativo invista na educação voltada à saúde sexual nos núcleos de ensino -desde o público infantil- para que atue como um mecanismo de conscientização. Isso pode ocorrer por meio da capacitação do corpo docente, em especial da área de biologia, aliado também ao incentivo a debates mensais com pais mestres, alunos e especialistas da área de saúde para que discutam esse tema. Por fim, é essencial investir ainda mais nas campanhas  de  conscientização e não banalização.