O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 02/04/2020
Na série ‘‘Sex Education’’, produzida pela Netflix, a clamídia -uma doença sexualmente transmissível- é um dos destaques. Nos episódios, a escola ‘‘Moordale’’ vive um surto da doença, o que leva a diretoria a investir em educação sexual. Fora das telinhas, há uma realidade diferente do que a vivenciada na série. O aumento das ISTs entre os jovens brasileiros é um assunto bastante alarmante. No entanto, no Brasil, houve avanço na saúde pública no que se diz respeito ao combate a ISTs, contudo, não é apresentado um ensino de educação sexual, como visto no seriado, perpetuando tais problemas.
A priori, é válido ressaltar que, nos anos 80, a sociedade presenciou um festival de música popular no qual tinha como lema ‘‘sexo, drogas e rockn’roll’’ que influenciou fortemente essas práticas, o que causou o maior avanço das doenças sexualmente transmissíveis. Durante esse período, muitos chegaram a óbito por contraírem tais mazelas e não terem acesso a saúde pública para tratá-las. Contrário a isso, na contemporaneidade, o SUS avançou a contribuir de forma efetiva para o tratamento desse mal, oferecendo remédios, de forma gratuita, garantindo uma qualidade de vida melhor aos infectados e com isso, também houve a diminuição de mortes por esse mal, é o que aponta a edição do boletim epidemiológico de HIV/AIDS que registra quedas nos números de aids no país, em 2016.
Por outro lado, a falta de educação sexual é um empecilho para a diminuição dos casos de DSTs no Brasil, tendo em vista que falar sobre relações sexuais e meios de se prevenir é um tabu na sociedade. Sendo assim, pouco discutido entre pais e filhos e escola e alunos, o que acarreta aumento nos casos de infecção. Ao tomar como base o pensamento do filósofo Kant, no qual afirma que o homem é o que a educação faz dele, nesse caso, essa não é a realidade, pois a maioria dos jovens brasileiros não têm acesso necessário a educação sexual, que auxilia na formação desse ente. Diante disso, é indubitável que a falta de orientação sexual auxilia na transmissão, já que grande parte dos indivíduos desconhecem as formas de contaminação e tratamento.
Nota-se, portanto, que a questão do aumento das ISTs entre os jovens deve ser combatido. Para isso, é importante que a mídia, pela capacidade que tem de amplo alcance populacional, por intermédio de propagandas em televisões e internet informe a população sobre a importância da prevenção e as consequências do não uso dos preservativos. Para que os casos de ISTs diminuam entre os jovens brasileiros, é necessário assim como, na série Sex Education o investimento em educação sexual, que pode ser promovido pelo MEC, tendo aulas obrigatórias em toda rede escolar sobre os meios de contaminação e tratamento, viabilizando a quebra de tabu existente na sociedade acerca desse assunto e a diminuição das DSTs entre os jovens no Brasil, tal como na série.