O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 01/04/2020
Doenças sexualmente transmissíveis, ou DSTs, são problemas que a humanidade vem enfrentando há anos. A Organização Mundial da Saúde divulgou, em 2019, que aproximadamente 1 milhão de pessoas contraem alguma DST por dia. Tais dados são alarmantes e as razões para essa ressurgência das doenças variam de desinformação a falta de diagnóstico e descuidos diversos. É necessário combater a propagação desses males e evitar consequências terríveis para todas as gerações.
Um motivo muito relevante para a infecção em massa é a carência de informação. Esta é causada pelos preconceitos e receios que se têm ao discutir o sexo. A série “Sex Education” (“Educação Sexual”), disponível na Netflix, retrata como tanto adolescentes quanto adultos evitam abordar temas sexuais, muitas vezes com medo de que a menção a tais assuntos influencie a prática. O protagonista, Otis, adentra o ensino médio pela primeira vez e começa a oferecer sessões de terapia sexual aos alunos da sua escola. A ignorância dos jovens é evidente, causada pelos muitos tabus que envolvem o tópico e pelo receio de receber julgamentos dos colegas. Dessa forma, eles não entendem a importância de utilizar preservativos ou a forma como as doenças são transmitidas, causando um surto de clamídia no início da segunda temporada. Isso reflete a sociedade de uma forma muito coerente: se os jovens não entenderem o que causa as DSTs e como evitá-las, o número de casos vai aumentar.
Por isso, é essencial passar por cima dos preconceitos e tratar o tema abertamente. Conter as causas e consequências das patologias é muito importante para a saúde da população, no entanto, há ainda outro problema que deve ser combatido: além de jovens ignorantes sendo atingidos, nem sempre os diagnósticos são precisos. Segundo o ginecologista José Eleutério Júnior, presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas, da FEBRASGO, tratamento e diagnóstico adequados são necessários. É comum observar apenas um dos parceiros ser tratado da sífilis, por exemplo, enquanto o outro não é. Ainda consoante o presidente da Comissão, o fácil acesso ao sistema de saúde público e o acolhimento sem discriminação dos portadores das doenças, em especial da HIV, são ambos imprescindíveis para diminuir a quantidade de infectados e de pessoas que receiam em buscar ajuda, temendo julgamento alheio.
Assim, conclui-se que a educação é a forma mais eficaz de combater o alastramento das DSTs. Um projeto de lei que vise a inserção da educação sexual à grade curricular dos alunos do ensino médio é um meio possível. Este tornaria necessário o curso durante pelo menos um ano letivo nas instituições. A intenção das aulas seria conscientizar sobre as DSTs e os meios contraceptivos, bem como sobre a importância do consentimento e do respeito; poderia, então, ser lecionado por professores de biologia.