O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 31/03/2020

Nas décadas de 80 e 90, observou-se,no Brasil e no mundo,uma epidemia de Aids que vitimou milhares de pessoas. Nesse contexto,a contração dessa doença era considerada uma “sentença de morte”, pois não existiam tratamentos eficientes. Hoje,com o desenvolvimento da ciência,o controle desse mal permitiu uma vida saudável aos infectados e a conscientização da população,contudo,nota-se um retrocesso nesse cenário,em que essa e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis(ISTs) vêm crescendo,principalmente entre os jovens, devido à banalização dessas e a falta de informação.

Primeiramente,é necessário destacar que as ISTs são um problema persistente e seu crescimento entre os jovens está relacionado com a falta de prevenção,em razão da pouca preocupação desses. Essa realidade é resultante do surgimento de tratamentos que garantiram a qualidade de vida dos doentes e reduziram a mortalidade,avanço esse que diminuiu o sentimento de medo que,por muitos anos,foi um importante aliado à prevenção dessas enfermidades. Esse cenário exemplifica o conceito de “Banalização do Mal” da filósofa Hannah Arendt,de acordo com a qual ações prejudiciais constantes são naturalizadas pelos indivíduos que passam a praticá-las,sem analisar criticamente. Dessa forma,a falta de orientação e informação adequadas que conscientizem esse grupo sobre as consequências dessas doenças,além do incentivo,pela sociedade,da invencibilidade como aspecto típico da idade favorecem a banalização desses males pelos jovens e a consequente propagação desse problema.

Ademais,é importante citar que as ISTs são desafios,muitas vezes,ignorados pela população,que trata temas relacionados com a sexualidade como tabus,o que dificulta a necessária conscientização dos jovens, que se encontram em fase de formação e submetidos a influências do meio. Nesse contexto,observa-se a atuação do “Habitus” do sociólogo Bourdieu,segundo o qual práticas e costume característicos de um grupo agem diretamente na formação do caráter do sujeito. Dessa maneira,a ação de grupos encarregados de conduzir o desenvolvimento dessa camada,como a família e a escola que,frequentemente,não abordam a importância da prevenção e os prejuízos do sexo irresponsável e como a mídia e os grupos sociais que fomentam a busca pelo prazer em detrimento da saúde,contribui para a permanência e difusão da desinformação e dessas enfermidades entre os jovens.

Logo,para combater o crescimento das ISTs,medidas devem ser tomadas. Para isso,as escolas devem buscar conscientizar os jovens e suas famílias sobre essas doenças,por meio da inclusão da educação sexual na grade curricular dos estudantes e a realização de palestras, com a participação de especialistas e familiares,que informem sobre esses males e suas formas de prevenção,a fim de incentivar a proteção da saúde,o debate no ambiente familiar e a diminuição desse problema.