O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 02/04/2020

O cantor brasileiro Renato Russo foi, em sua juventude, acometido por uma das mais brutais Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), a AIDS. Apesar desse caso ter ocorrido na década de 1980, período em que a informação acerca dessas mazelas era escasso, no Brasil contemporâneo, onde há um vasto conhecimento sobre essas doenças, o número de contaminados é superior. Esse panorama é decorrente da ausência de educação sexual durante a fase escolar e do descaso dos jovens quanto ao uso de preservativos.

Primeiramente, é necessário entender a importância do conhecimento para prevenir os casos de ISTs no país. Segundo Paulo Freire, a educação nas escolas brasileiras é “bancária”. Para o pedagogo, os institutos educacionais estão intencionados em depositar informações no educando, sem prepará-lo para a vida. Sob essa perspectiva, é válido mencionar a compreensão como grande preventora de chagas sociais, tais como as patologias transmitidas sexualmente. A educação Sexual permite que estas sejam evitadas, uma vez que os alunos devem receber esclarecimentos acerca de como ocorre o ato sexual, quais os métodos que impedem doenças e gravidezes, sobre as ISTs e como elas podem ser tratadas.

Outrossim, é pertinente destacar o descuido dos jovens como uma das principais razões para o aumento das ISTs no Brasil. Consoante Hannah Arendt, a sociedade vive a “Banalização do Mal”. De acordo com a filósofa alemã, os indivíduos naturalizam atitudes prejudiciais a eles mesmos ou a uma massa. Exemplo disso, é a negligência da camada juvenil com o uso os métodos de prevenção de doenças, tais como a camisinha e o diafragma. O contínuo desuso desses mecanismos de precaução tornam a atividade sexual insegura e deixa o público-alvo extremamente suscetível a ser contaminado por ISTs.

Diante do exposto, faz-se imprescindível que medidas sejam empreendidas para amenizar a incidência dos casos de ISTs. Compete ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, inserir aulas de educação sexual na grade curricular dos alunos do ensino fundamental e médio, de forma que essas exposições sejam feitas com o auxílio de estudantes e estagiários dos cursos de medicina e biomedicina, para que exibam informações acerca do ato sexual, dos métodos preventivos e das doenças que podem ser transmitidas, a fim de instruir os educandos e impedir danos á saúde desses indivíduos durante a adolescência e, sobretudo, na juventude. Assim, tornar-se-á possível diminuir as taxas de contaminação entre os jovens e evitar que essa camada tenha sua vida comprometida por ISTs, como ocorreu com um dos grandes intérpretes da música popular brasileira.