O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 02/04/2020
Cazuza e Freddie Mercury foram duas vítimas fatais de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). Ainda na juventude, ambos contraíram AIDS, entre as décadas de 80 e 90, nas quais houve uma epidemia desta. Contudo, apesar da diminuição da velocidade de transmissão atualmente, a quantidade de pessoas infectadas por tais doenças é sempre crescente e os jovens são os principais envolvidos. Isso é consequência da falta de informação sobre sexualidade e do não empenho do Estado no cumprimento do seu dever em relação à saúde. É indubitável que a falta de conhecimento em qualquer área é um problema grave e, na saúde, uma catástrofe. Isso acontece porque a informação sobre doenças, suas consequências e seus tratamentos é a melhor forma de prevenção. Desse modo, o tabu social sobre sexualidade corrobora com a disseminação de DSTs entre os jovens, pois esse grupo tem escassa conversa familiar e ensino escolar sobre esse tema. Hoje, graças à evolução da ciência, adquirir uma DST não é mais uma sentença de morte. Todavia, é aí que está o perigo: sem o medo do contágio, muitos jovens banalizam os males causados por essas patologias. Para comprovar isso, tem-se que 4 em cada 10 jovens foram irresponsáveis ao fazer sexo casual e mais de 20% dos jovens acreditam que existe cura para a AIDS, de acordo com o site UOL Notícias. Isso é preocupante, visto que não é fácil conviver com qualquer um desses tipos de infecções pós-contagio, independentemente, de ter tratamento ou não. Outro fator que fomenta a desinformação é a negligência estatal perante o dever de promover a saúde para todos seus cidadãos. Haja vista que, segundo o artigo 296 da Constituição Federal, o Estado precisa criar políticas públicas de prevenção, de tratamento e de acompanhamento para a população e ele falha, infelizmente, em todos esses aspectos, pois não abrangem a todos. Apesar de o Brasil ser considerado uma referência mundial no tratamento de AIDS pela OMS, é necessário focar mais na prevenção do que na remediação de DSTs e ter os jovens como público-alvo principal. Ou seja, investir massivamente em medidas profiláticas periódicas, não apenas no carnaval, já que as pessoas precisam ter um comportamento sexual responsável durante todo o ano. Além disso, usar rádios e televisão como principais meios de divulgação atinge pouco os jovens, o ideal seria usar a internet e as redes sociais para obter um maior engajamento desse grupo social. O primeiro esclarecimento a ser feito sobre isso é a diferença entre DSTs e ISTs: aquela se refere a pessoas nas quais houve manifestação da patologia; esta engloba também pessoas assintomáticas que podem ou não fazer o uso de medicação, ou seja, IST é um termo mais abrangente.