O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 29/03/2020

“O meu prazer agora é risco de vida”, diz a letra da canção “Ideologia” de Cazuza que reflete a relação do cantor com a AIDS, bem como os medos que assombravam a sua geração. Entretanto, com os avanços médicos, que garantiram a redução da mortalidade pela doença, o medo entre os jovens diminuiu. Diante disso, a banalização das doenças, assim como o afrouxamento na prevenção, fizeram com que os casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) aumentassem significativamente nos dias atuais.

A princípio, faz-se importante destacar que os avanços na área médica permitiram o tratamento das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), e aquelas em que a cura não é possível passaram a dispor de tratamento que garante a qualidade de vida do sujeito portador. Diante disso, a população passou a não temer tais doenças, uma vez que não representam risco iminente de morte. Uma prova dessa banalização foi divulgada pela Organização Mundial da Saúde, que alerta que mais de um milhão de pessoas por dia contrai algum tipo de IST. Dessa forma, o avanço nos tratamentos não é acompanhado pela redução das infecções, e revela as contradições ligadas a esse cenário na sociedade contemporânea. Esse comportamento também contribui para o desenvolvimento de infecções mais resistentes, que surgem, muitas vezes, em função da falta de adesão ao tratamento.

Por conseguinte, é válido ressaltar que esse cenário revela a redução da prevenção por parte dos jovens, que têm escolhido não usar preservativos. Embora a Constituição Federal de 1988 busque garantir igualdade de condições de acesso à saúde, que é vista como direito social fundamental, esse direito só poderá ser assegurado se os indivíduos compreenderem que essa garantia também depende deles. Sendo assim, para quebrar o ciclo de transmissão é necessário que os jovens voltem a compreender a necessidade de prevenção, com o uso de camisinha e a redução dos comportamentos de risco. No entanto, isso se torna um desafio diante do cenário social atual, em que a busca por prazeres momentâneos se sobressai em detrimento das consequências futuras ligadas a saúde.

Infere-se, portanto, que o aumento das DSTs entre os jovens é um desafio atual e deve ser combatido. Desse modo, é imperiosa uma ação do Ministério da Educação, que , junto às escolas públicas e particulares, deve estimular o debate e a reflexão quanto ao assunto, por meio de palestras e rodas de conversa. Além disso, é necessário que novos canais de comunicação sejam usados para atingir esse público. Sendo assim, as redes sociais também devem ser utilizadas para divulgação de campanhas de prevenção, estimulando o senso crítico.Com isso será possível reduzir os casos de ISTs e quebrar o ciclo de transmissão, garantindo a proteção dos jovens brasileiros.