O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 30/03/2020
Em 1991, a morte do cantor e compositor Freddie Mercury, proveniente do agravamento de seu quadro de AIDS, chocou milhares de fãs pelo mundo. Hodiernamente, apesar dos avanços médicos mundiais, a maioria das doenças sexualmente transmissíveis não tem cura, podendo ser apenas tratadas. Por analogia, vê-se que o cenário no Brasil não é diferente, com uma incidência de contaminados ainda maior que no quadro mundial, devido, principalmente, a falta de informação gerada pela deficiência de educação sexual para os jovens e pela criação de um tabu sobre o assunto nas famílias brasileiras, comprometendo em grande escala a saúde pública.
Em primeira análise, observa-se que o aumento de doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens brasileiros é inerente a desinformação sexual e a criação de um estigma em torno do assunto. Ou seja, os familiares e educadores costumam sentir-se intimidados ao falar de sexo com os mais jovens, que por conseguinte desenvolvem um olhar ignorante em relação a tais doenças, duvidando da gravidade das mazelas. Dessa forma, a sua grande maioria só se importa em prevenir a gravidez, utilizando diversos métodos contraceptivos que descartam o uso de camisinhas, deixando-os mais suscetíveis a adquirir as DST’s. Uma pesquisa divulgada no site da UOL mostra que 6 em cada 10 jovens entre 15 e 24 anos fizeram sexo sem camisinha no último ano.
A posteriori, é de suma importância observar que a conservação deste estigma na sociedade continua gerando a banalização em torno da seriedade de tais doenças. Por consequência, segue-se um quadro preocupante dentro da saúde pública, pois a contaminação em massa vem se tornando mais frequente nas cidades, principalmente em meados de fevereiro, quando o Carnaval, maior festa popular brasileira, entra em cena. O sistema público de saúde vem encontrando dificuldades para sustentar o tratamento de milhares de brasileiros que convivem com a doença, que aumentam a cada ano. De acordo com a Secretaria de Saúde, em 2016, foi registrado mais de 26 mil casos de alguma DST no Brasil.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Ademais, é relevante que uma parceria entre o Ministério da Saúde e Ministério da Educação seja consolidada, para que juntos possam conscientizar os jovens e as famílias acerca dos perigos que a falta da utilização de preservativos pode acarretar. De tal forma, faz-se necessário a adição de uma cadeira de educação sexual na grade curricular do ensino médio e palestras mensais para os pais ou responsáveis, com a orientação de profissionais da saúde. Objetivando diminuir a incidência de DST entre estes jovens e desmistificar algo inerente ao corpo humano e sua natureza, evitando que outros, como Freddie, sejam acometidos.