O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 30/03/2020
“E agora,José?".A literatura do autor mineiro Carlos Drummond traz com peculiaridade a intervenção imediata dos problemas sociais no Brasil.De maneira análoga,a problemática do aumento de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) entre os jovens brasileiros se enquadra nessa perspectiva.Haja vista,o legado preconceituoso ao se tratar de sexualidade na construção sociocultural do Brasil,o qual afeta a família,a escola e todo o complexo social.Nesse viés,cabe analisar e argumentar sobre a narrativa da ausência familiar, bem como o déficit educacional brasileiro como impulsionadores da problemática em questão.
Segundo a filósofa contemporânea Hannah Arendt,uma das características do mundo contemporâneo é a “banalização do mal”.Pode-se,então,fazer analogia desse conceito com a falta de preocupação dos jovens brasileiros com as DSTs,normalizando os males e o pouco uso da camisinha.Sob essa lógica,a herança patriarcal brasileira permite a manutenção do preconceito enraizado sobre o debate da sexualidade,dificultando o diálogo familiar,negligenciando a orientação sexual responsável.Dessa forma,transfere a responsabilidade de ensinamentos promovidos pela educação sexual para outros meios,seja a internet ou amigos,condicionando a desinformação dos jovens e os pondo em risco.
Ademais,essa transferência de cuidados e ensinamentos muitas vezes recai sobre a escola,que também encontra-se,na maioria das vezes,subjugada aos preconceitos,mitos e desinformação sobre educação sexual no ambiente escolar,na perspectiva errônea de que o debate conduz a prática sexual,corroborando para o aumento de casos de DSTs entre os jovens brasileiros.Diante disso,é notório a existência,ainda influente,de um déficit educacional construído socialmente baseado em uma “educação bancária”,de formação acrítica,sem consciência;que vai de encontro a concepção de “educação conscientizadora” do pedagogo Paulo Freire.Isso,uma vez que a escola deve ser a continuação da casa,e quando a casa não é fonte de informação,liberdade,a escola deve ser um ambiente de abertura e conscientização ampla sobre tudo.
É evidente,portanto,que ainda há entraves para a solidificação da consciência social sobre a importância da educação sexual para mitigar o aumento de DSTs entre os jovens brasileiros.Nesse viés,o Ministério da Educação para conscientizar deve inserir nos parâmetros curriculares das instituições educacionais a abordagem da educação sexual,por meio de reuniões escolares mensais e palestras com especialistas,com atuação conjunta da família e da escola para a instrução dos jovens e dos responsáveis,quanto a sexualidade,riscos e prevenção.A fim de ultrapassar certos tabus,unindo a família e a escola para mudar a realidade dos jovens brasileiros.