O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 29/03/2020

Em meio a traços românticos, Eugène Delacroix apresenta em sua tela “A Liberdade guiando o povo” o nascimento da esperança, simbolizado pela mulher de seios nus erguendo a bandeira da Revolução Francesa acima dos corpos e da destruição. Utilizando desse contexto mediante ao aumento de doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens no Brasil, compreende-se que acreditar em um futuro promissor configura-se como os primeiro passo para a resolução desse entrave. Nesse prisma, cabe analisar a falta de investimento financeiro e de conscientização diante dessa questão no país.

Primeiramente, nota-se que há uma falha por parte do Estado no processo de investimento financeiro ao não disponibilizar exames gratuitos periódicos para a identificação dos jovens portadores de DST’s. Visto que o indivíduo pode sentir vontade de ter relações sexuais sem proteção, porém saber que é portador — através da manutenção de suas consultas regulares — tende a se caracterizar como o elemento inibidor. Esse quadro pode ser explicado pelos estudos do filósofo Arthur Schopenhauer, já que para ele o homem vive em conflito permanente mediante seus desejos e a consciência do funcionamento de sua realidade.

Em segundo lugar, é possível observar que a população, ao permitir a falta de assistência informacional sobre a consequências das DST’s não letais para com os jovens brasileiros, banaliza o mal. Isso porque muitos do jovens têm relações sexuais desprotegidos por não saberem que apesar da ausência de letalidade na maioria das doenças sexualmente transmissíveis, grande parte delas traz como consequência outros problemas como infertilidade e gravidez ectópica o que pode vir a prejudica-los em um futuro próximo. Esse fenômeno é explicado pela teoria de banalidade do mal teorizada pela filósofa Hanna Arendt, uma vez que por conta da massificação cultural as pessoas têm dificuldade em discernir o certo e o errado.

Convém, portanto, ressaltar que esse entrave precisa ser superado. Em primeiro lugar, é importante que o Estado invista na democratização de exames periódicos através da criação de um cadastro no Sistema Único de Saúde fornecendo, de forma gratuita, o acesso a tais mecanismos, isso impedirá a transmissão não consciente entre a classe juvenil. Também, deve-se pontuar que é necessária a criação de campanhas midiáticas que visem conscientizar a população do seu papel como inibidor dessa problemática, para que mediante ao voto seja cobrado a inserção de políticas públicas de assistência informacional nas escolas sobre a consequências das DST’s não letais, dessa forma os jovens se protegerão com mais vigor em suas relações sexuais. Essas medidas demonstram que assim como retratou Delacroix na Revolução Francesa ainda há esperança para superar esse obstáculo.