O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 29/03/2020

Pregos. Faixas. Ferros. Esses são alguns dos elementos representados no autorretrato ``A coluna partida´` (1944), da pintora Frida Kalho, com os quais ela tem de conviver diariamente durante o processo de recuperação de um acidente. Embora haja dor e sofrimento em seu semblante, ela se mantém ereta, demonstrando resiliência. Desse modo, é possível tomar essa mensagem de resistência dessa tela como elemento norteador para o processo de resolução de problemáticas, como o aumento de DSTs entre jovens. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no Brasil.

Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao permitir o aumentos das DSTs. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de conscientização, uma vez que falta informar nas escolas, desde a pré-adolescência, sobre a importância do uso de preservativos para a não contração de doenças, tendo em vista que há certa banalização do uso, o que prejudica o direito à saúde da população. Sendo assim, nota-se que o governo não tem garantido o bem de todo o coletivo, o que, segundo os ideais teorizados pelo filósofo John Locke, caracteriza-se como a ruptura do Contrato Social.

Também, observa-se que o silenciamento social frente ao aumento do número de pessoas com DSTs apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, pare da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários ao investimento financeiro na contratação de profissionais para a distribuição preservativos, a fim de se evitar a disseminação de doenças, como a sífilis. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle-Neuman para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitar conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma ´`espiral do silêncio``, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.

Ressalta-se, portanto, que o aumento das DSTs deve ser combatido. Para isso, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, uma maior conscientização nas escolas buscando informar aos jovens sobre a necessidade do uso de preservativo para a não proliferação de doenças. Ademais, é essencial incentivar a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por ONGs, a respeito da utilidade de haver um maior engajamento coletivo em prol do investimento financeiro, de forma sistemática, na contratação de profissionais para a distribuição de preventivos. Dessa forma, a resilência necessária para solucionar esse entrave perpassaria A coluna partida da pintora Frida Kalho.