O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 31/03/2020
Quando o poeta italiano Girolamo Fracastoro criou o personagem Syphilis, em 1530, não imaginava que ele emprestaria seu nome a uma moléstia infecciosa que, segundo relatos, fora trazida das Américas nas caravelas de Cristóvão Colombo. Nos versos de Fracastoro, Syphilis é um pastor de rebanho grego que desperta a ira divina e é castigado com pústulas pelo corpo. Quase 500 anos depois, a sífilis mal provocado por uma bactéria volta a ser motivo de preocupação, agora entre profissionais de saúde.E ele não vem sozinho. Outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e conhecidas do homem há milhares de anos — a gonorreia é mencionada no Antigo Testamento — parecem ter retornado com a força de uma praga bíblica.
Em primeira análise, o Controle e Prevenção de Doenças americano, o CDC. Só nos Estados Unidos, os números de episódios de sífilis, gonorreia e clamídia registraram, em apenas um ano, aumento de 15,1%, 5,1% e 2,8%, respectivamente. No Brasil, o cenário estimado não é muito diferente — como apenas os casos de HIV e de sífilis em gestantes e bebês são notificados obrigatoriamente ao Ministério da Saúde, é difícil ter estatísticas gerais mais fidedignas. “DST virou tabu no país, ninguém mais toca no assunto. E o pior é que se minimiza o real risco de contágio”, critica a médica Márcia Cardial, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Em segunda análise, Na falta de números do governo federal, dados da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo acusam que as ocorrências de sífilis por transmissão sexual cresceram 603% em seis anos. O salto foi de 2 694 em 2007 para 18 951 em 2013. Em outros estados, o panorama não é menos preocupante. Em 2013 e 2014, Acre, Pernambuco e Paraná registraram crescimento de 96,1%, 94,4% e 63,1%, respectivamente. Para especialistas, a prevenção dessa e de outras DSTs é ignorada pela população. “Diante da facilidade de se fazer o exame e do baixo custo do tratamento, a situação beira o absurdo”, afirma a médica Cláudia Jacyntho, Ph.D. em tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp.
Portanto, é imprescindível que o governo federal, em parceria com o Ministério da Educação, promova políticas públicas voltadas a promoção de palestras e dinâmicas acerca das doenças sexuais nas escolas, a fim de orientar os jovens sobre como se prevenir e lidar com elas. A mídia, por sua vez, como principal veículo de informação junto aos governantes deve propagar campanhas publicitárias sobre as formas de proteção e alertar os jovens sobre suas consequências de forma a torná-los mais conscientes e responsáveis. Feito isso, poder-se-á afirmar que o país oferece mecanismos exitosos para o combate dessas doenças.